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V - Primeiras vezes

sábado, 20 de junho de 2015 / Nenhum comentário

 Quando penso em todas as nossas primeiras vezes me dá uma vontade tão louca de poder voltar no tempo. Ainda me lembro perfeitamente de cada detalhe, mas ainda parece pouco quando a saudade sufoca. E quando penso nele é só saudade. Eu sou saudade de nós dois. Nosso primeiro beijo. Nossa primeira vez. Nosso primeiro eu te amo. Coisas simples que foram nossas - e serão nossas pra sempre - e que continuam fazendo meu coração bater apertado. É quase sufocante. Dá um desespero danado, e eu me sinto tão pequena. Por Deus, com todo meu 1,78 de altura, me sinto pequena quando a saudade dele me encurrala. Não da pra fugir.

Nosso primeiro beijo foi roubado e sim, por mim. É claro! Se não fosse assim não seria eu, não seria ele. E se não fosse nós dois não teria graça alguma. Mesmo nos falando todos os dias e eu já sabendo de trás pra frente seus jeitos e trejeitos. Mesmo estando na cara que os dois queriam muito mais que amizade. O primeiro beijo demorou. Ou pelo menos eu acho que três meses antes de beijar alguém que faz seu coração disparar ao menor sinal de aproximação é muito.

- Toda vez que você fica aqui falando comigo seus amigos fazem uma cara de total reprovação. E os caras ficam olhando e pensando "porque ela não ta falando comigo" - ele fez uma voz debochada imitando os caras e eu ri.
- Eu não ligo - dou de ombros - Você se importa? - pergunto sorrindo achando bonitinho aquele comentário.
- Nem um pouco. Mas as vezes fico meio curioso pra saber porque a senhorita M Magnifica Magnânima e todas essas coisas fica aqui ouvindo meu discorrer sobre a vida - ele pegou uma mexa do meu cabelo e colocou cuidadosamente atrás da orelha parecendo bem ansioso pela resposta enquanto me fitava.
- Ah! É fácil - debochei - É porque como eu pretendo ser jornalista um dia. Aprendo palavras novas como "discorrer" e vejo a aplicação dela em frases. É fascinante - ri e ele balançou a cabeça em negativa.
- Boba - riu - É, eu acho que meio que sei porque você fica aqui - disse olhando profundamente em meus olhos. Daquele jeito que era difícil me concentrar em qualquer outra coisa - Além disso que você acabou de citar, é claro, um pouco de cultura nunca é demais, né? - zombou de volta, mas voltou a me encarar. E eu fiquei com medo dele falar o porquê. Mas era tão óbvio.
- E por que seria? - perguntei um tanto hesitante.
- Porque eu sou irresistível - ele riu e corou um pouco em seguida da brincadeira. E embora ele não acreditasse no que tava falando. Era verdade. Ele era absolutamente e irrefutavelmente irresistível.  
O sinal havia batido e eu não queria voltar pra sala de aula. Não quando meu papo com Edward tava tão bom. Adiamos o máximo que pudemos no corredor até só sobrar a gente no corredor.
- Temos que ir - disse ele fazendo careta.
- É - rolei os olhos fazendo careta também.
- Pois é.

Só ai eu percebi que estávamos de mãos dadas. Não pensei muito antes de encostá-lo na parede e roubar um beijo dele. Não um beijo exatamente. Um selinho demorado. Ele me olhou ficando vesguinho por alguns segundos antes de fechar os olhos e segurar firme em minha cintura de um jeito que fez uma onda absurda de calafrio subir por todo meu corpo. Puxei o lábio inferior dele ao final daquele curtíssimo momento que se tornou um dos melhores da minha vida. Encostar os meus lábios no dele só provou o que eu já desconfiava. Nós tínhamos uma química maravilhosa. Era sempre como uma presença física entre a gente. Mas ele era tão estupidamente tímido as vezes. Quando disse isso a ele uma vez ele disse que eu não deixava muito claro que queria algo além de amizade com ele então disse sutilmente "Só faltava tatuar na minha testa, Edward. Você não percebeu de mula que era". Ele riu.
- Você é mesmo irresistível - pisquei e sai deixando ele ali parado. Sai sem olhar pra trás

Em pouco tempo éramos Edwarlina. Inseparáveis. E desesperadamente apaixonados. No começo hesitamos um pouco em ficar juntos no colégio, não queríamos magoar ninguém. Só que não dava pra disfarçar os olhares, o carinho, e até os ciúmes bobos que tínhamos um do outro. Qualquer um perceberia, era nítido. Como eu já disse, o amor não é discreto.

Eu que pensei que nunca fosse me apaixonar me peguei olhando para ele embasbacada quando o via todo certinho nas suas roupas formais. E então ele sorria, mas não qualquer sorriso. Era um sorriso só dele, que vinha acompanhado de covinhas e de olhinhos puxados. Ah! Ele ficava lindo sorrindo, mas eu também amava quando ele ficava bravo. Era engraçado, ele era tão calmo e eu sempre conseguia tira-lo do sério. Ele preferia ficar emburrado do que brigar comigo, e então era só chegar de mansinho pedir desculpas e lhe dar um beijinho ou dois, ele gostava de roubar mais um e estava tudo resolvido.

Nossa primeira vez não demorou muito para acontecer. Estávamos loucos um pelo outro. Lembro-me de cada detalhe. Eu estava olhando profundamente nos olhos dele e estava presa entre seus braços, um de cada lado da minha cabeça. Achava um charme os cabelos dele caindo sobre os olhos, mas o que me deixava louca mesmo era sua respiração ofegante e o desejo em seus olhos. Toquei o rosto dele e ele beijou minha mão, deslizei as mãos sobre seu abdômen. Ele se arrepiou e então me beijou, me beijou com uma urgência, me beijou como se precisasse de mim para sobreviver. Meu coração disparou e eu suspirei. Suspirei porque se ele precisava de mim, por deus, eu precisava muito mais de dele. Eu precisava que ele me amasse intensamente. Eu precisava de suas mãos, de seu toque, de seu beijo, mas principalmente - exclusivamente - de seu amor.

Subi lentamente uma perna sobre seu quadril e suas mãos apertaram firmes a minha cintura. E dali ganharam vida, desceram pelas minhas pernas, passaram pelas minhas coxas, com uma devoção a cada milímetro da minha pele que eu me senti a mulher mais especial do mundo. Eu precisava sentir a pele dele na minha, então segurei a barra da sua camisa e a deslizei por sua cabeça. Eu tenho que admitir que me surpreendi quando ele não foi nada delicado e rasgou meu vestido. Eu gostei tanto disso que mordi os lábios e sorri, me livrei do resto do vestido e o agradeci. O agradeci do meu jeito, é claro, beijei seu pescoço lentamente explorando cada pedacinho dele. O agarrei pela cintura com as minhas pernas.

- Eu te amo - ele sussurrou olhando em meus olhos antes de segurar meus braços por cima da cabeça e começar a beijar meu colo, depois minha barriga lentamente e cada partinha do meu corpo. Eu perdi o fôlego. Era impressionante o que ele fazia comigo. Eu estava louca por ele, tudo em mim implorava por ele. E ele percebeu isso. Engraçado, ele não parecia nervoso, eu só via a sua preocupação comigo e o seu desejo. Mas ele estava lindo. Confiante e seguro. E eu? Eu nunca havia me sentido tão feliz e tão completa. Quando nossos corpos se misturaram, eu não tive nenhuma dúvida, eu o amava. Eu o amava louca e profundamente. Eu fechava os olhos e o mundo todo sumia. Naquele momento, só existia ele, eu e o nosso amor.
- Você ta cansado? - perguntei sorrindo e acariciando seu rosto suado. Ele riu e disse:
- Eu estou realizado!
Eu achei engraçadinha suas palavras e cobri os lábios dele com os meus e no final do beijo ele mordeu meu lábio inferior.
 - Você é tão linda - ele sussurrou . Eu quis dizer que eram os seus olhos. Mas eu me sentia linda mesmo, me sentia a mulher mais linda do mundo, e então em vez da modéstia, escolhi a verdade:
 - Edward, eu te amo. Você é o homem da minha vida - eu não tive medo da resposta não ser a mesma, porque aquele dia eu sabia, ele me amava. Cada pedaço de dele me mostrava amor. A sua resposta foi um beijo, foi a língua dele explorando minha boca, foi a força exata e precisa de sua mão em minha nuca.
 - Você tem alguma dúvida de que você é a mulher da minha vida? - e a resposta ele sabia, eu não tinha nenhuma dúvida. Eu era tão dele, de corpo, alma e coração.
Esse dia também foi a primeira vez que ele cantou pra mim e eu juro, eu quis casar com ele naquele momento. Quis casar com ele quando sua voz grave cantava "Your body is a wonderland" do John Meyer me fazendo rir e o olhar feito uma boba.
- Damn, baby. You frustrate me. I know you're mine, all mine, all mine. But you look so good it hurts sometimes. Your body is a wonderland. Your body is a wonder. Your body is a wonderland. Your body is a wonderland - ele cantou essa parte em especial olhando em meus olhos profundamente com um sorrisinho no rosto que me fazia rir também. A única droga disso tudo é não poder escutar John Mayer sem lembrar dele. Droga Edward, eu gostava tanto do John.
- Bobo - xinguei e mostrei a língua enquanto ele afagava meus cabelos.
- Linda - retrucou e me deu um beijo - Você é maravilhosa com M de Melina - ele riu fazendo referência ao dia que escreveu Megera na lousa.
- Viu? Nunca julgue uma pessoa antes de conhecer! - debochei convencida.
- Eu fui tão inocente. Quando você disse "prepare-se para um oceano de emoções" no nosso primeiro encontro eu juro que pensei que você se referia ao filme.
E naquele momento eu também quis casar com ele. Não demoramos muito pra isso. Mas isso vem depois.

IV - Amigos são pra sempre

segunda-feira, 15 de junho de 2015 / Nenhum comentário


 Acho que a pior coisa de estar apaixonado ou quase apaixonado - não sei se isso é possível, é que as pessoas percebem que você está apaixonado. O amor não sabe ser discreto. Rouba seus pensamentos. E te da um tanto a mais de distração. Você também ganha um pouco a mais de suspiros e uma necessidade quase absurda de ver quem você ama. Ai as pessoas se acham no direito de achar que você está apaixonado. Que bobeira.

- Melina, você ta me ouvindo? - perguntou Rachel - minha melhor amiga e irmã do meu ex não-namorado.
- Obvio. Total razão - disse olhando pra ela e assentindo com a cabeça.
- Ah! Eu devo me matar? Tenho total razão, né? - debochou ela rolando os olhos.
- Você tava falando do Will, né? - eu tava ouvindo. Ela que é dramática. Ou pelo menos achava que estava.
- Eu tava falando do meu irmão. Melina ele sente sua falta. Olha eu sei que... - interrompi-a.
- Rachel, se o Jesse sente minha falta é só falar comigo - dou de ombros.
Ela me olhou por alguns segundos me examinando.
- Melina você ta a fim de outro? - perguntou sem rodeios.
- Não. Que idéia. - respondi com um tom ofendido na voz.

Mas então Edward passou no corredor. Meu Deus! Ele estava lindo. Com aqueles óculos que deixavam ele ainda mais lindo. O cabelo perfeitamente arrumado. E o sorriso de lado que ele deu para mim? De repente o mundo inteiro borrou ao meu redor e eu só via aquele sorriso.
Rachel olhou para ele e depois olhou para mim.

- Por que ele ta sorrindo pra você? - perguntou incrédula.
- Ah! O sorriso dele é lindo você não acha? - perguntei sorrindo quando ele se afastou.
- Na escala Rachel de gente esquisita Edward é o líder disparado. Então, não. Eu não acho o sorriso dele lindo - disse com desprezo como se fosse obvio.
Não era de se estranhar. Rachel gostava de tipos mais específicos. Teve a inteligência em se apaixonar pelo o cara mais canalha, que por acaso era meu amigo, mas isso não o deixava menos canalha, da região.  Ele era do tipo que saia com três ao mesmo tempo e achava isso normal. Não vou mentir o sorriso dele era lindo. Aquelas costas também. Aquela cor do pecado. E, ok ele era legal. Totalmente normal a Rachel se apaixonar por ele. Mas... Eu? Eu nunca gostei de tipos específicos. Eu gostava do diferente. Gostava de caras com óculos grandes no rosto. Aqueles que ligavam o foda-se pra academia. Que tinham um sorriso bonito. Que desviavam o olhar se ficasse os encarando muito, pois eles são tímidos. Acho que eu não gostava de caras, e sim de um cara. Edward. Ele não foi aquele cara que se encaixou em tudo que eu considerava perfeito para alguém, ele simplesmente me fez criar novos conceitos do que é perfeito baseado nele. Era ele. E mesmo antes de tudo. Eu nunca tive dúvidas.
Os dias iam ficando mais longos. Uma das drogas da adolescência: estudar em sala separada da pessoa que você gosta. Você tem que ficar torcendo para o acaso. E as vezes ele não colabora. Ou colabora de forma errada. Olha acaso, não pedi pra ver o Edward grudado na melhor amiga dele não tá? Obrigada.

- Ela gosta dele - disse Cassy. Uma menina com um visual meio diferente. Pra não dizer emo gótico e todas essas coisas obscuras.
- Eu perguntei alguma coisa? - respondi grosseiramente. Eu não queria ser grosseira, mas algo naquela afirmação me incomodou.
- Úlala - debochou ela - Calma ai - disse rindo e saiu quando o sinal bateu e o portão abriu. Eu fiquei alguns minutos parada e depois fui atrás dela.
- Hey! Como você sabe? - perguntei discretamente a Cassy.
- É meio obvio, né? Acho que até uma mula olharia para Mary e veria que ela gosta de Edward.
Rolei os olhos.
- Eu não perguntei isso. Perguntei como você sabe que eu me interesso por essas coisas - dei de ombros tentando disfarçar. Ela acendeu um cigarro e me olhou.
- O Edward me contou do encontro de vocês! - ela disse calmamente. E eu esperei ela dar mais detalhes, mas fiquei decepcionada ao constatar que ela não ia falar mais nada.
- Hum... Ele contou o que? Não que eu esteja interessada - ri com desdém.
- Quem diria... Você ta na dele? - perguntou com um tom debochado.
- Eu não - retruquei ofendida.
- Ele tá na sua. Ele não me disse isso, mas não precisava. Ele ficou falando de você com aquele olhar brilhante que os homens fazem quando estão apaixonados - ela disse e tragou seu cigarro.

Eu conhecia Cassy só de vista. Mas depois daquela conversa viramos amigas. Mesmo sendo totalmente diferentes, nós conseguíamos ficar conversando por horas. E naquele momento ela parecia ser a unica a A me entender e B não me julgar. Rachel que já estava magoada comigo por causa do irmão. Como boa ciumenta se afastou.

Edward me fazia rir como ninguém. Conversávamos todos os dias no colégio e continuávamos trocando mensagens quando saímos de lá. Era uma sensação tão gostosa, era como se os dias tivessem ganhado chão de nuvens, me sentia andando nelas sempre. Estávamos numa luta idiota de dedos - que consiste em dar as mãos e um tentar segurar e imobilizar o dedão do outro. Eu lembro que eu ria enquanto ele exclamava alguns xingamentos para meu dedo "ah, seu dedão safado", e porque era bom poder ser boba com alguém e essa pessoa não te achar boba. Não faz sentido. Mas a maioria das coisas sobre paixão não fazem. Foi quando Rachel nos interrompeu e disse:

- Posso roubar ela um pouco? - pediu ainda um pouco indiferente a ele, levantando o nariz.
- Claro - disse Edward dando de ombros.
Nos afastamos de Edward e ela perguntou:
- Vocês estão namorando? - perguntou diretamente.
Suspirei e ela notou, pois me olhou ainda mais incisivamente.
- Não. Eu juro que nós não temos nada. Ainda - acrescentei.
- Bom... Eu não vim aqui defender meu irmão. Pois ele vai ficar ótimo sem você. Eu vim aqui dizer sinceramente que você está sendo ridícula em abandonar todos os que são seus amigos por causa de um cara que você acabou de conhecer.
- As coisas não são assim Rachel, eu tento falar com você, mas você se afasta - disse me defendendo e ofendida.
- Não você não tenta. Pra você eu virei só uma extensão do meu irmão que aparece aqui pra te lembrar que aquele carinha que sempre te adorou e você não teve nem a decencia de conversar dizer um adeus, existe. E eu não vou ficar implorando por sua amizade. Não, mas quando as coisas derem errado pra você. Não pense que a minha casa estará aberta.
- Rachel você está sendo tão injusta comigo. Eu nunca pensei assim de você. E eu e o Edward não temos nada - afirmei categoricamente - Sei que está mal pelo seu irmão... - ela me interrompeu.
- Eu não estou mal por ele - ela sorriu - Só cuidado. Você não pode passar como um caminhão por cima das pessoas só pensando em você - ela nem me deixou responder e deu as costas.
Eu não estava sendo melhor tipo de amiga e de pessoa. Eu admitia. Mas a única coisa que não foi verdade no que a Rachel disse era que a casa não estaria aberta se eu precisasse. Porque eu precisei e ela me acolheu de braços abertos. Grandes amizades são assim, resistem a qualquer coisa. E se eu tinha que ser grata por algo é por todas as pessoas que eu havia cativado. O amor chega a cegar quando ele chega. Mas nunca deixe que ele faça desaparecer os amigos. Pois por mais clichê que seja, amigos são pra sempre.

III - O trato

sexta-feira, 5 de junho de 2015 / Nenhum comentário

 Você já teve a impressão de que precisava apenas de uma chance pra provar que é diferente do que as pessoas pensam que você é? Era exatamente o que eu sentia em relação ao Edward. Cheguei em casa depois daquele dia e a primeira coisa que fiz foi jogar a palavra "megera" no google. Eu sabia que significava ao ruim, mas queria ir a fundo no que ele pensava sobre mim. Eu não sabia o porquê, mas me importava com que ele pensava. Encontrei "Na mitologia grega Megera personifica o rancor, a inveja, a cobiça e o ciúme." Ou "Megeras são representadas normalmente como mulheres aladas de aspecto terrível.". Passei a noite inteira pensando nisso e no dia seguinte decidi fazer algo para me defender daquela acusação horrível.

Encontrei Edward no corredor, ele estava de costas, mas quando virou me viu. Pareceu meio surpreso quando eu continuei caminhando até ele.

- Você sabe o que você fez comigo? - perguntei o encarando firmemente.
- Eu? - perguntou confuso.
- Você me expôs ao ridículo, me deixando totalmente constrangida - coloquei a mão no peito para efeito dramático - isso se chama Bullying. E é motivo de suspensão. Alias eu tenho diversas testemunhas - disse e dei um sorriso.
- Você não parece muito magoada - disse ele me encarando - Você não parece o tipo de pessoa que se magoa com qualquer coisa, já que magoa as pessoas com facilidade - retrucou.
- Bom... Eu tenho um trato, você pode assistir um filme comigo ou eu retratarei o caso a direção. E eu sou boa atriz quando eu quero - arqueei uma sobrancelha. Ele semicerrou os olhos.
- Por que isso? - perguntou irritado.
- Porque eu estou te dando a chance de tirar suas próprias conclusões. Acho meu trato mais do que justo.
- E como eu vou saber que não é uma emboscada? - perguntou desconfiado.
- Vai ser na minha casa. Por Deus, como eu armaria uma emboscada na minha casa? Com meus pais lá? - perguntei ofendida.
- Okay! - respondeu.
- Se você não... - me interrompi - O que?
- Ok - deu de ombros - Tanto faz. Aceito seu trato idiota.

Dei um sorriso e caminhei em direção a minha sala. As vezes fico pensando se foi um trato idiota realmente. Mas não importa quantas coisas ruins tenham acontecido entre a gente. Nada nunca irá apagar da minha mente as coisas boas, porque no final de tudo, são as coisas boas que realmente importam. São os sorrisos apaixonados. Os toques das mãos que causam calafrios. As juras de amor trocadas. Nada disso se apaga. E minha alma está completamente tatuada das nossas lembranças. Elas vão envelhecer comigo, talvez desbotem, talvez não sejam tão coloridas daqui uns tempos, mas serão sempre tatuagens. Eu as olharei e lembrarei o quanto elas significavam pra mim quando foram marcadas.

Ele cumpriu com a palavra e na hora marcada apareceu na minha casa.

- O que a gente vai assistir? - perguntou entrando em meu quarto, vestindo uma camisa azul marinho e calça Jeans. Eu podia dizer naquele momento que azul marinho era a minha cor favorita de tão bonito que ficou nele. Logo eu que nunca gostei de azul, sempre preferi vermelho.
- O meu filme favorito - disse cumprimentando ele com um beijo no rosto.
- Meninas malvadas? Se for eu vou embora - ele disse rindo. Parecia estar baixando a guarda.
- Não - ri - é Titanic. Mas como você sabe que eu amo "Meninas Malvadas"? - perguntei rindo.
- Que previsível - ele debochou - Porque minha irmã gosta. Eu nunca vi Titanic. Sei que todo mundo já viu, mas sempre achei longo demais.
- Okay. Então sua primeira vez será comigo - brinquei e ele riu.
- Se você diz. E se essa é sua forma de provar que você não é uma megera - deu de ombros e se sentou no puf que eu havia separado pra gente.
- As pessoas tem uma mania de ter primeiras impressões completamente deturpadas. Você quer ir além ou quer continuar só na superfície a vida toda? - perguntei - Eu te deixo ir embora. E desisto da chantagem inicial se você quiser realmente ir embora - disse abrindo a porta. Ele me encarou fixamente.
- Quanta profundidade - ele riu - Quero sair da superfície - ele imitou a minha frase com um sorriso de lado - Vou ir além. Eu quero ficar - disse olhando pra tv.
- Prepare-se para um oceano de emoções - brinquei rindo. E então liguei o filme.

Enquanto o filme rodava ficamos conversando sem parar. No começo ele parecia relutante, mas eu sempre falei demais e acho que ele percebeu que não teria outra alternativa a não ser interagir comigo. E ele foi se soltando, até parecermos amigos de infância. Eu falei sobre meus sonhos, disse que eu queria me formar em jornalismo e ser uma jornalista importante um dia. Ele me contou que pretende cursar marketing e fazer uma pós em administração pra cuidar da empresa da família. Que ele toca violão e adora cantar, mas que tem vergonha de fazer isso na frente de outras pessoas. Eu mostrei a ele que meu dedo mindinho era torto graças a um tombo que levei na infância. Ele mostrou uma cicatriz na perna que ele adquiriu quando andava de bicicleta e se jogou para desviar de um gato, aproveitei pra contar que sou apaixonada por gatos, mostrei fotos dos oitos gatos que passaram por minha vida e contei a história de cada um deles, ele escutava tudo atentamente.

- O filme ta quase acabando e a gente não assistiu nada - ele disse rindo.
- Rose, ganhar a passagem foi a melhor coisa que me aconteceu. Porque me trouxe até você. E fico grato por isso Rose, fico grato. Você precisa me dar esta honra, precisa prometer que vai sobreviver, que não vai desistir não importa o que aconteça, por mais desesperador. Prometa isso agora Rose e nunca desista de cumprir essa promessa - repeti a fala junto do personagem.
- Se você já sabe as falas de cor porque escolheu esse filme? - perguntou me encarando com um sorriso no rosto.
- Porque era o mais longo que eu conheço - ri fraquinho - E é o meu favorito. Que tipo de megera gosta de Titanic?
Ele rolou os olhos - Talvez você não seja tão megera assim. Mas só talvez - e então me olhou. Diferente de todas as outras vezes, bem de pertinho. Meu coração acelerou, e eu não entendia nada daquilo. Meu coração nunca tinha disparado com um olhar e nem com a presença de alguém. Eu não conseguia tirar os olhos dele. Nossas testas se encontraram e minha respiração acelerou. A dele também. Ficamos sentindo nossas respirações quietinhos, parecia que qualquer movimento brusco destruiria o momento.
- Profundidade. Filmes românticos. Paixão por bichos. Muitos sonhos... O que mais eu não sei sobre você ein? - perguntou me olhando daquele jeito que só ele sabia.
- Quase nada - murmurei e sorri.
- Acho que fiquei curioso - nossos lábios quase se tocaram. Mas minha mãe bateu na porta para oferecer lanchinho. Eu quis dizer "pelo amor de Deus mãe, como a senhora interrompe o beijo da mocinha e do mocinho por causa de um lanche?". Mas fiquei quieta, comemos o lanche e depois ele foi embora. E eu refleti que eu nunca seria o tipo certo se mocinha. Nunca seria boazinha demais. Nunca seria perfeita em nada. Nunca seria prudente, sempre preferi ser porra louca inconsequente. Mas olhando nos olhos dele, eu me senti certa em algum lugar. Ele me fazia ter vontade de ser a pessoa certa pra ele. Talvez tenha funcionado por um tempo. Mas eu te digo, não foi tempo suficiente. No amor a gente sempre quer mais do que nos é oferecido.
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