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X - Fim, começo ou recomeço?

sexta-feira, 10 de julho de 2015 /
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  “Ligo o rádio e tá tocando sua música favorita. É aquela banda de rock esquisita. Mas me dá um calorzinho no peito ao ouvir aquele som. E eu percebo que amo aquela música, assim como eu amo você. Se nada me salva de mim, eu ficava feliz em poder te salvar. E poder continuar te amando aqui, quietinha, ouvindo sua música favorita. Ninguém precisava saber. Porque nosso amor é amor de promessa. E temos os prazos mais estranhos, como as próximas vidas. Você já deve ter se perguntado? Por que não aqui? Por que não agora? Queria que soubesse que também me pergunto. E, ah! Não tenho resposta...

Era fácil rir com Aidan. Fazíamos isso o tempo todo. Ele era meu companheiro em tudo. No trabalho. No dia a dia. Ele procurava me proteger e me entender sempre. Mas não eramos de fato um casal. Aidan era a pessoa que me via da maneira mais bonita que alguém pode ver alguém. Me botava pra cima. Me guiava para as coisas certas. A gente pode até pensar que não, mas precisamos as vezes de um estalo pra perceber que estamos indo pra direção completamente errada. Aidan foi meu estalo.
Decidimos fazer a nossa primeira viagem sozinhos. Sem destino. Apenas procurando lugares incríveis que não fazíamos a menor ideia que poderíamos estar um dia. E foi o que fizemos. Pegamos a estrada e saímos por ai. Achamos uma cachoeira no meio do caminho. E eu pedi para que ele parasse lá.
- Melina… Você sabe o que dizem dessas cachoeiras de estrada? Que são o local favorito de maniacos assassinos. E que são um ótimo lugar para morrer sem que ninguém saiba.
Fiz uma careta.
- Ninguém diz isso – retruquei – Tá, não vou desconfiar de você. Quem diz isso?
Ele demorou a responder.
- As pessoas – finalmente chegou a uma conclusão. A qual não achei nem um pouco confiável.
– Você está com medinho? - perguntei rindo
- Não é que eu esteja com medo. Mas também não estou seguro de que está cachoeira é o melhor lugar.
– Não foi isso que viemos fazer nessa viagem? Procurar… lugares… novos – disse com desdém – E agora você tá com medinho? Poderíamos ter ido pra Paris, então. Todo mundo vai pra Paris e poderíamos ser mais um cas… Poderíamos estar em Paris. E fazer o que todo mundo faz em Paris. Visitar a torre Eiffel. E comprar uma lembrancinha da torre pra lembrar pra sempre que fomos a torre...
- Eu não tenho nada contra Paris! Absolutamente nada.
O encarei.
- É sério! Vamos? - pedi com jeitinho
- Se nós morrermos. Eu não vou te perdoar por isso. Nem no céu e nem no inferno. Serei seu karma e você terá que me aturar durante todas as suas próximas vidas.
- Ok. Não me parece tão ruim – sai do carro animada quando ele, finalmente, parou. E o puxei pela mão.
Descemos por um caminho de pedras e avistamos a cachoeira. Era simples, mas bonita. Queria dizer que era o lugar mais incrível do mundo, mas era apenas uma cachoeira. Pequena e meio escura.
- Não é isso tudo – disse Aidan.
- É – eu fui obrigada a concordar – Mas podemos fazê-la apenas um cenário do nosso tudo.
- E como você preten…
Comecei a tirar minha roupa, sem deixar de o olhar nos olhos, sorrindo em convite.
- Você tá zoando… - ele levou a mão a cabeça – Tá… Você não tá zoando – ele arrancou a camisa e me seguiu até a cachoeira.
Fiquei mergulhando para tentar espantar o frio. A água era congelante.
- Você é tão maluca – disse olhando nos meus olhos nadando até mim.
- Não sou não – retruquei fazendo beicinho – Eu estou com frio – murmurei tremendo – Deveria ter te ouvido! - ri.
- Agora que já estamos aqui. Deixa eu te esquentar.
Ele me pegou pela cintura e realmente me esquentou. De todas as maneiras. E aquele momento poderia ilustrar tudo que eu sentia pelo Aidan. Ele esquentava a minha alma fria. Ele me fazia um bem danado.

…Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo. Que ajo sem perceber e magoo sem querer. Mas gostaria que soubesse que eu queria poder consertar muitas coisas que fiz. Não queria ser o seu tsunami. Não queria destruir nada pra você, enquanto você só construiu pra mim. Queria que soubesse. Ou não. Que quando me deito ainda penso em você. Que não foi tão fácil assim pra mim, como você jura que foi...

Eu me sentia bem com Aidan. Não era como se ele desse sentido aos meus dias, não. Era só como se eu fosse mais feliz quando ele estava comigo. Não era uma coisa assustadora. Era paz. Era carinho. Era tesão. Era amor. Era amizade. Era tudo que eu queria. Ele me fazia me sentir bem comigo mesma. E eu tinha vontade de ser tudo isso para ele também. Mas, ele não deixava. Por mais que eu tentasse… Havia sempre algo entre nós.
- Eu te amo – murmurei beijando os cabelos dele e acariciando seu rosto – Você tá triste?
- Você me deixa maluco, sabia? Isso me assusta. Eu estou perdendo a cabeça!
- Por que? Eu to aqui. Eu to nas suas mãos, literalmente – sorri olhando pros braços dele me aninhando na cama pela cintura – Não precisa ficar maluco!
- Eu só não quero ser o cara passional, sabe? Eu nunca fui assim. Mas eu tenho um medo do caralho de te perder.
- Você não vai me perder – exclamei um pouco irritada.
- Melina… O que nós somos? - perguntou incisivamente.
- Como assim Aidan?
- Viu, é uma pergunta simples e você não sabe me responder. É por isso…
- Meu Deus, é por isso o que? - sai de cima de Aidan e olhei para o teto – Eu só to indo com calma Aidan, só isso. Mas isso não significa que eu não te ame.
- Eu… Só queria me sentir menos perdido nessa história. Não sei se me entrego, ou se te dou espaço.
- Espaço, só se for pra pegar velocidade na minha mão pra dar na sua cara – brinquei e arranquei um sorriso dele.
- Desculpa! Mas é que… - respirou fundo – A Cecelia me disse que o Edward está voltando. Eu não sei quando, nem porquê, mas ele vai voltar.
Tentei não parecer tão pasma. Não falava com Cecelia direito desde o episódio do Aidan. E Edward, obviamente, não havia me dito nada. Voltando para quê? A vida dele não estava tão boa lá?
- Está? - perguntei tentando parecer desinteressada.
- Está – ele levantou nervoso. Provavelmente percebeu que eu estava interessada.
Esperei ele sair do banheiro e o agarrei pelas costas.
- Isso não faz diferença! Sério! - afirmei com um sorriso – Agora, você vai voltar comigo para aquela cama e nós só vamos sair de lá amanhã cedo. Okay?

E naquele momento não fazia diferença mesmo. Eu estava bem. Eu me sentia perfeitamente bem. Eu amava o Aidan. Ele significava tanto para mim que qualquer coisa que fosse nos atrapalhar parecia pequena perto do nosso sentimento. Porque amor não é aquela coisa perfeita. Aquela coisa de adolescência. Amar é amar a pessoa por inteiro. É amar de qualquer lugar, longe ou perto. É nunca abandonar. Era o que eu sentia. Mas quando o Edward voltou, todas as minhas convicções adquiridas desmoronaram.

...Desligo o som. Acabou sua música. E aquele calorzinho no peito dá lugar pra uma pequena angustia e um vazio insistente. Fecho os olhos e prometo a mim mesma que eu tenho que te tirar da minha cabeça. Assim como eu tirei da minha vida. Não adianta insistir em algo que não era pra ser...

Nunca me culpei por mudar de idéia. Eu sempre gostei de mudanças. Mas eu não gostava de machucar as pessoas. Só não deu pra segurar. Eu me lembro de cada detalhe do dia que ele voltou. Eu estava saindo da minha casa e estava de mãos dadas com Aidan. Eu ria de alguma besteira que ele havia falado e de repente. Perdi o ar. Edward estava parado do outro lado da rua. Me olhando. Eu o olhei e ele não desviou o olhar. Senti que minhas pernas iam perder as forças.
- Tá tudo bem? - Aidan perguntou preocupado, aparentemente não percebendo a presença de Edward.
- Uhum – murmurei e entrei em seu carro para ir até a redação da revista.
Não pensei em mais nada o dia todo. Era como se minha cabeça tivesse sido abduzida e estivesse em algum lugar do planeta. Em algum lugar? Quem eu queria enganar? Estava no Edward. Estava no seu olhar magoado. Estava em seus cabelos escuros. Na sua tristeza ao me ver com outro.
- Aidan, você se importa, de dormir na sua casa hoje? Eu preciso ficar um pouco sozinha.
Ele franziu o cenho, mas concordou. Percebi que ele estava magoado. Mas era verdade. Eu precisava de um tempo sozinha. Pelo menos era o que eu achava que teria.

Entrei em minha casa ainda atônita. Fechei a porta e corri pra geladeira encher um copo de vodka. Fazia uns tempos que eu havia parado de beber, pois eu já estava perdendo a noção. Estava tentando me manter longe dos vicios. Das festas. E me focar no meu trabalho e no meu novo relacionamento. Uma boa vida. Uma ótima vida. Afinal, eu estava amadurecendo. Precisava de um foco. Bebi de uma vez só e levei um susto quando olhei para o sofá.
- Edward? - perguntei chocada.
- Chave embaixo do tapete – explicou.
- Ah – ri fraco – É… Não sei o que fazer, te ofereço um café… ou pergunto o que você quer aqui?
- Acho que a primeira seria mais educada, mas eu não quero um café. Eu vim conversar, Melina. Eu vi que você tá bem. Mas eu preciso disso, ok? Preciso pelo menos de uma despedida.
Ah. Ele precisava disso? E eu que precisei dele por tanto tempo. E agora, ele precisava “pelo menos” de uma despedida? Era muita cara de pau mesmo.
- Você quer uma despedida? Aqui sua despedida – acenei pra ele com um sorriso forçado – Tchau, Edward!
Ele mordeu os lábios para segurar o riso. Do que ele estava rindo?
- Adoro quando você faz isso. Finge que não se importa e tenta afastar as pessoas com sua frieza. Mas comigo não cola, Melina. Eu te conheço. Vamos lembrar disso. Agora dá pra parar? Só vamos conversar.
- Você acha que me conhece… Você não me conhece… Não mais!
- Bom… - ele se aproximou. Nem preciso dizer que meu coração disparou, né? Então. E pegou minha mão, dando um beijo no meu dedo mindinho – Eu acho lindo esse dedo, que você chama de torto, mas eu não acho que ele seja torto. Ele só é diferente. Ele me faz pensar em você na sua infância, fico imaginando o escandalo que você deve ter feito depois do tombo. Eu gostava de te imaginar quando criança, sabia? Gostava de imaginar que tipo de criança você seria. Também sei do seu amor por gatos. Sei seu livro favorito. O seu filme. Sei, inclusive que, você não acredita em nada que você está falando. Você sabe que se tem alguém que te conhece no mundo, esse alguém sou eu. Agora me deixa fazer uma pergunta. Você – ele frisou bem a palavra - está chateada comigo?
Ele não estava perguntando isso. Ele não podia perguntar isso. Era o fim. Vai me dizer que Edward se achava no direito de estar magoado comigo? E não podia perguntar isso perto daquele jeito. Me dava falta de ar.
- Você quer a verdade? - tentei falar calmamente, mas tenho certeza que meu tom saiu cheio de ressentimento – Estou. E eu preferia não ter que te ver mais. Mas já que você insiste. Eu digo, eu estou sim, chateada com você. Por tudo Edward, pela sua falta de consideração com a nossa história. Por ter me deixado acreditar por anos que a gente ia ficar junto. Por não estar comigo quando eu precisava de você. Por sempre achar que você é o mais importante e nunca ter se importado em como eu ia me sentir.
Ele escutou atentamente e ao final do meu desabafo eu estava chorando. Aquilo tudo estava preso em minha garganta.
- Eu nunca me importei? Tudo que eu mais fazia era me importar com você, Melina. Eu tinha que fazer aquela viagem, eu precisava trabalhar, estudar… Eu cresci muito como pessoa. E eu quis mais do que tudo te levar comigo, mas eu entendi quando você quis ficar. Eu não podia estar presente. Mas eu estava cumprindo minha promessa. Eu não desisti, não importava o que me acontecia.
- Você está dizendo que eu desisti? É isso mesmo? Eu não desisti, Edward. Eu só cansei de te esperar. Cansei de esperar suas mensagens. Cansei de viver algo que pra mim não era real.
- E eu te deixei desistir. Eu nem insisti. Sabe por que? Porque sabia que era melhor pra você. Mesmo morrendo por dentro. Eu deixei você ir. Mas pra mim sempre foi real, se pra você não foi – ele levantou magoado, mas eu não resisti e segurei em seu braço.
- Edward – o olhei – Não é isso. Desculpa! Eu nunca havia parado pra pensar no seu lado. E se você veio aqui me dizer tudo isso, é porque se importa, pelo menos um pouco.
- É claro que eu me importo! Me importo muito… Bom, eu não vim aqui pra te deixar triste – ele levantou meu rosto – Eu só não queria que você tivesse raiva de mim. Porque você foi a melhor coisa que me aconteceu.

E o que eu ia fazer? Baixei a guarda. Não dá pra lutar com quem quer fazer bem. Havia tanta verdade na voz dele. E havia tanta saudade em mim. O problema é que não pertencíamos mais um ao outro. Eu não poderia o beijar como beijaria antes. Não poderia o abraçar e dizer que o abraço dele era o melhor abraço do mundo. Não poderia dizer que eu o amo. Tudo porque o destino afirmava que não pertencíamos mais um ao outro. E eu tinha que aceitar. Tinha?

- Você também foi a melhor coisa que me aconteceu – afirmei – Eu não to chateada. Com esse tempo separados aprendi alguma coisa – sorri – Me dá um abraço? Podemos terminar isso bem.
Ele atendeu meu pedido e me abraçou bem apertado. Parecia sonho. Não era como se fosse real. Mas era. Eu não sei se errei em pedir aquele abraço ou se acertei. Mas qualquer uma das opções levava a um caminho difícil.
- Que abraço bom – sorri – Agora vai logo, antes que eu te sequestre – ri fraquinho apoiando minha cabeça no ombro dele.
- Hm – disse beijando meus cabelos – Ainda tem cheiro de pessego – deu um beijo em minha bochecha parecendo receoso. E pronto, não resisti. Encostei meus lábios no dele dando um selinho demorado. Nossos lábios não conseguiram ficar afastados do caminho que eles conheciam de cor, o do nosso beijo.
 – Edward, - disse com meu coração pulando alto no peito – Por favor, vai embora! - pedi.
Ele se afastou, e abriu a porta. Eu senti um misto de alívio e tristeza, mas não por muito tempo. Pois ele voltou, enfiou a mão nos meus cabelos e me fez olhar nos olhos dele. Era covardia. Era impossível pra mim. Eu simplesmente não podia recuar. Então nos beijamos. E o pior, nos beijamos apaixonadamente.
- Edwar... - murmurei entre o beijo tentando o repreender, mas segurando em seu quadril com uma mão e o puxando pra mais perto, retribuindo o beijo com vontade. O que adiantava falar uma coisa e fazer outra? Era exatamente o que eu estava fazendo quando tentei o repreender e continuava o agarrando loucamente.
Ele segurou em minha cintura e me encostou na parede, ainda segurando a minha nuca.
- Desculpa por isso – pediu com a respiração ofegante. E em seguida mordeu meu lábio inferior.
Fiquei olhando pra ele por alguns segundos com a respiração acelerada
- Ah, claro. Esse é um ótimo momento pra pedir desculpas - ri e puxei seu lábio de volta. Enfiei minha mão por baixo da camisa dele e desci meus dedos devagar por suas costas. Dei um beijo em seu pescoço e em seguida o marquei com um chupão - Ops - sorri - Desculpa por isso também. Sinto muito – o provoquei sorrindo.
- É um ótimo jeito de pedir desculpas. - ele riu e beijou meu pescoço, apertando uma de minhas pernas. Aproximou seus lábios quentes do meu ouvido e mordeu minha orelha enquanto agarrava minha cintura por dentro da blusa - Me desculpa mais uma vez – disse quando ouviu meu gemido, e deixou um sorriso vencedor escapar de seus lábios convencidos.
- Desculpo... - pulei em seu colo e o agarrei com as pernas - Mas você vai ter que me desculpar por isso também - puxei sua camisa pra cima e a passei por cima de sua cabeça a jogando no chão. Segurei forte nos cabelos dele, o beijando com voracidade explorando sua boca com a minha língua e o abraçando forte com as pernas tentando acalmar o calor do meu corpo por ele.
- Eu desculpo. - ele riu. Apertou minha cintura com mais força e me empurrou contra a parede, beijando meu pescoço sem nenhum pudor - Eu acho que vou precisar de muitos pedidos de desculpas por isso – então rasgou minha blusa fina com pressa e apertou meu seio por cima do sutiã me fazendo ir a loucura.

Eu simplesmente não resisti. Fizemos amor a noite toda. Matamos a saudade que estava querendo matar a gente e qualquer mágoa que podia existir entre nós, parecia meio inútil. Mas ainda existia outras coisas além da nossa paixão.
- A gente não deveria ter feito isso – murmurei afundando minha cabeça no peito dele.
- Por que? Por causa daquele seu namoradinho idiota? - ele riu sem humor nenhum.
- Também. E ele não é idiota!
- Não vou ficar aqui falando dele – bufou.
- Não pedi isso, mas…
- Você seguiu a vida e eu to fora né? Relaxa. Só ainda não aceitei. É difícil ouvir notícias suas com aquele… Aquele… Idiota! - gruniu. E eu nunca tinha visto Edward tão bravo.
- Eu sei que é difícil pra você. Pra mim foi horrível quando vi que você estava em um relacionamento sério com aquela Barbara lá... É que a gente já se acostumou a ser um do outro – disse refletindo, enquanto me cobria com um lençol.
- Para de se cobrir. Eu gosto de ficar te olhando – pediu tirando o lençol de mim. E eu percebi que ele estava mudando de assunto.
- Edward… - o olhei tentando criar coragem. Me levantei e vesti a camisa dele. Ele sorriu.
- Como nos velhos tempos! - disse me olhando – Você fica linda com essa camisa.
- Edward… Você tem que ir. O Aidan vai chegar aqui. E eu não quero que ele te veja.
- E a gente, Melina? Como a gente fica?
- Não fica. Edward… Foi maravilhoso. Foi perfeito. Mas eu construí outras coisas. E você também. Não podemos fingir que não existe nada além da gente.
- Eu não estou fingindo. Pra mim não existe nada além da gente. Eu te amo. Eu sempre te amei.
- Eu também, Edward, mas… - ele me interrompeu.
- O que eu preciso te dizer é que aos dezesseis anos eu conheci a mulher mais incrível deste mundo. Pelo menos, do meu mundo. E desde lá eu sempre pensei que tinha muita sorte por achar meu grande amor tão cedo. Nunca tive dúvidas sobre nós, sobre o nosso amor. E eu não quero pensar que eu fui burro o suficiente pra deixar a minha garota dos dezesseis, que virou a minha mulher aos vinte, deixar de ser minha…
- Ed… - o olhei e ele parecia concentrado no que ia dizer já que não tirava aqueles castanhos de cima de mim. As palavras eram lindas, mas eu sentia que precisava me proteger do Edward. Como se minha mente tivesse criado um bloqueio automático.
- Deixa eu te explicar… Tudo. Me ouve? Nem que seja pela última vez. Aí Melina, se você disser que não sente nada por mim. Eu te juro, eu abro essa porta e saio da sua vida.

Respirei fundo e meu coração continuou apertado. Minha garganta estava com um nó gigantesco e não adiantaria nem beber soda pra desfazê-lo. Era um misto de medo com o que tava por vir e saudade. Eu não conseguia nem olhar para o Edward sem quase morrer. Frio na barriga. Saudades. Angustia. Medo. Amor. Não era fácil de explicar o que aconteceu comigo naquele momento. Ao mesmo tempo que queria terminar com aquilo, eu não queria perdê-lo e a mínima ideia disso acontecer me apavorava.

- Tudo bem, Edward. Podemos conversar – disse o olhando e me sentei no sofá.
- Eu, namorei outra garota… A Barbara… Depois que você terminou comigo, eu fiquei perdido e tentei me encontrar com a Barbara.
- Eu vi uma foto de vocês bem próximos… Você sabe, antes de me separar de você.
- Nós nunca tivemos nada enquanto eu estava com você. Eu te juro, mas depois… Você foi tão fria Melina, eu pensei… Foda-se, vou arranjar minha vida aqui. E a Barbara era minha parceira, fomos nos aproximando e quando vi estávamos namorando.
Rolei os olhos.
- Se você quer explicar como você se apaixonou por outra, por favor. Me poupa – levantei e Edward segurou meu braço.
- Não. Pelo contrário, Melina. Eu vim dizer que… Bom, a Barbara era absolutamente perfeita, em qualquer coisa. Mas mesmo estando ali ao meu lado sempre, eu ainda sentia falta de você. De qualquer coisa com você. Você tem ideia, Melina? Eu preferia uma mensagem sua, do que um dia inteiro com a Barbara…
- Se você fosse mesmo feliz comigo você não teria me deixado ir. Eu quis tanto que você me fizesse ficar, Edward. Eu faria qualquer coisa por nós dois. Mas quando eu desisti. Foi pra valer.
- Nós estávamos nos afastando cada dia mais. Eu sabia que tinha que ficar lá por mais um período, eu estava indo tão bem na minha carreira, Melina. Eu cresci muito rápido. Quando você pediu o divórcio, eu fiquei magoado. E triste. E, caralho, eu fiquei triste pra caramba. Mas eu achava que era o melhor pra você. Naquele momento, eu não podia ser o melhor pra você. E ai decidi seguir minha vida, minha mãe me apoiava, meu pai tava orgulhoso de mim. Mas toda vez que eu deitava na minha cama – ele pegou a minha mão e colocou em seu peito – eu sentia um vazio enorme. Eu podia ter tudo. Mas eu sabia, faltava alguma coisa… - limpou a garganta – Não era alguma coisa, era você. Faltava você, a minha menina. Eu nunca seria feliz sem você.
- O que você tá querendo dizer com isso, Edward? - perguntei meio atônita.
- Que eu larguei tudo lá. E vim aqui, pra pelo menos ter uma chance de falar com você. Você sempre foi melhor que eu em tudo, Melina. E eu não sei o que você viu em mim, sinceramente. Tão mais bonita. Tão mais esperta. Tão mais tudo. Mas você me fazia me sentir especial. E dizia que eu era especial pra você. Você me prometeu que ia me dar a honra de ser minha mulher, e naquele dia eu fui o homem mais feliz do mundo. Nós temos tanta história juntos. Eu ainda faço seu coração bater mais forte? - perguntou ajeitando meu cabelo atrás da orelha.
- Faz! - respondi a verdade.
- Eu entendo que você tenha que pensar. Mas eu precisava te dizer essas coisas – e então ele levantou. Tirou uma margarida do bolso e deixou em cima da cabeceira, antes de sair da minha casa. Eu levantei e peguei aquela florzinha murcha. Que era a minha favorita. Como eu pude pensar que o Edward não me conhecia? Ele me conhecia como ninguém. Ele sabia todos os meus detalhes. Sabia minhas manias. Me viu crescer. Foi meu primeiro amor. Como eu deixei a mágoa nos afastar tanto?

Se eu nunca mais tivesse visto o Edward, eu seria feliz com Aidan. Era amor com ele, eu nunca tive dúvidas. Mas aquela coisa que sempre ficava entre nós e eu não sabia o que era, era o Edward. Porque meu amor pelo Edward nunca se apagou. Nunca diminuiu. Nunca saiu de mim. Ele sempre esteve lá. Mesmo quando eu queria com todas as forças que ele não tivesse. Mas eu não podia mandar no meu coração. Que mesmo quando estava maltratado pela distância, batia de saudades do meu primeiro amor. Gostaria de dizer que as coisas ficaram bem. Que eu e o Aidan somos melhores amigos de infância agora. Mas não. Não somos e nunca seremos, justamente, por amor. O amor é capaz de construir coisas incríveis, mas ele usa essa mesma força para destruir.

Aidan me amou profundamente, e demonstrou isso da forma mais bonita. Com carinho, com apoio, com palavras, com presença… Mas o nosso maior problema é que ele amava uma fantasia. Ele podia abrir a porta do meu apartamento com a cópia que eu havia o dado, mas ele morria de medo de abrir a porta do meu coração, mesmo tendo a cópia também. Ele tinha medo de quem encontraria lá. Talvez, se ele tivesse acreditado no meu amor. Nós teríamos sido forte o suficiente para resistir ao tsunami Edward. Mas não foi. Não era pra ser. Existem coisas que, simplesmente, não são pra ser. E não é culpa de ninguém. Embora os culpados sejam sempre apontados um pelo outro no silêncio de seus quartos. O que nos restou foi pouco. Alguns olhares receosos de vez em quando. Em mim, a vontade de contar pra ele o meu dia. E a dor ao saber que ele não vai querer saber. Não mais. Eu sinto falta do Aidan todos os dias. Mas nunca me perdoaria se não desse uma chance para o Edward. E assim vou vivendo. Sabendo que um ciclo precisa acabar para começar outro. E que nunca é tarde para um recomeçar um ciclo.

...Me deito em minha cama e as vezes me pego rindo lembrando de algumas manias tuas. Lembrando das nossas histórias absurdas. E tento anotar mentalmente, não era pra ser. Mas poderia ter sido. Quem disse que o amor que não era pra ser não pode ser grande? Eu sou sua Julieta e você será pra sempre o meu Romeu.
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Publicado por Melina Matarazzo

Abri a porta da casa de Edward e o peguei de surpresa.
- Você aqui? - perguntou parecendo surpreso.
- Vim responder a sua declaração. Não me interrompe, por favor.
- Como quiser – ele disse me olhando com um sorriso. Ele já sabia. Eu era dele. Sempre fui.
- Edward Schneider, eu nunca havia entendido o porquê das pessoas nascerem querendo ser de alguém. Insisti. Bati o pé. Eu queria ser minha. Pra sempre. E foi assim até te conhecer. Eu boto a culpa nos teus olhos castanhos. Quando os olhei pela primeira vez, eu já tinha perdido um pouquinho de mim para você. E eu perco mais um pouquinho a cada dia, mas eu não me importo, sabe? Porque eu ganho em troca um pouco de você. E, hoje, no dia mais especial da nossa vida, posso dizer que entendo perfeitamente o porquê. Porque o que eu mais quero é ser sua mulher. Eu sempre opto pelo modo mais difícil de aprender as coisas. Veja, as pessoas já nascem sabendo que querem ser de alguém. Eu precisei conhecer você. E eu sou grata por isso. Porque ninguém nunca me entendeu tão bem. Porque ninguém nunca me tratou como se eu fosse simples. E também, Edward, porque eu não tenho outra escolha. Meu coração escolheu ser seu. E eu prometo, que não importa o que aconteça, eu nunca me esquecerei dessa promessa. Eu te amo – li nossos votos da mesma forma que eu os disse no nosso casamento. E ao terminar, olhei para Edward e ele estava emocionado.
- Seus votos? - perguntou sorrindo.
- Acho que eles cabem bem no momento. Sei que não é nosso casamento, mas nunca é tarde pra renovar promessas, né? - disse emocionada também o abraçando.
- Eu prometo nunca mais te abandonar! Nunca - enfatizou. 

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