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V - Primeiras vezes

sábado, 20 de junho de 2015 /

 Quando penso em todas as nossas primeiras vezes me dá uma vontade tão louca de poder voltar no tempo. Ainda me lembro perfeitamente de cada detalhe, mas ainda parece pouco quando a saudade sufoca. E quando penso nele é só saudade. Eu sou saudade de nós dois. Nosso primeiro beijo. Nossa primeira vez. Nosso primeiro eu te amo. Coisas simples que foram nossas - e serão nossas pra sempre - e que continuam fazendo meu coração bater apertado. É quase sufocante. Dá um desespero danado, e eu me sinto tão pequena. Por Deus, com todo meu 1,78 de altura, me sinto pequena quando a saudade dele me encurrala. Não da pra fugir.

Nosso primeiro beijo foi roubado e sim, por mim. É claro! Se não fosse assim não seria eu, não seria ele. E se não fosse nós dois não teria graça alguma. Mesmo nos falando todos os dias e eu já sabendo de trás pra frente seus jeitos e trejeitos. Mesmo estando na cara que os dois queriam muito mais que amizade. O primeiro beijo demorou. Ou pelo menos eu acho que três meses antes de beijar alguém que faz seu coração disparar ao menor sinal de aproximação é muito.

- Toda vez que você fica aqui falando comigo seus amigos fazem uma cara de total reprovação. E os caras ficam olhando e pensando "porque ela não ta falando comigo" - ele fez uma voz debochada imitando os caras e eu ri.
- Eu não ligo - dou de ombros - Você se importa? - pergunto sorrindo achando bonitinho aquele comentário.
- Nem um pouco. Mas as vezes fico meio curioso pra saber porque a senhorita M Magnifica Magnânima e todas essas coisas fica aqui ouvindo meu discorrer sobre a vida - ele pegou uma mexa do meu cabelo e colocou cuidadosamente atrás da orelha parecendo bem ansioso pela resposta enquanto me fitava.
- Ah! É fácil - debochei - É porque como eu pretendo ser jornalista um dia. Aprendo palavras novas como "discorrer" e vejo a aplicação dela em frases. É fascinante - ri e ele balançou a cabeça em negativa.
- Boba - riu - É, eu acho que meio que sei porque você fica aqui - disse olhando profundamente em meus olhos. Daquele jeito que era difícil me concentrar em qualquer outra coisa - Além disso que você acabou de citar, é claro, um pouco de cultura nunca é demais, né? - zombou de volta, mas voltou a me encarar. E eu fiquei com medo dele falar o porquê. Mas era tão óbvio.
- E por que seria? - perguntei um tanto hesitante.
- Porque eu sou irresistível - ele riu e corou um pouco em seguida da brincadeira. E embora ele não acreditasse no que tava falando. Era verdade. Ele era absolutamente e irrefutavelmente irresistível.  
O sinal havia batido e eu não queria voltar pra sala de aula. Não quando meu papo com Edward tava tão bom. Adiamos o máximo que pudemos no corredor até só sobrar a gente no corredor.
- Temos que ir - disse ele fazendo careta.
- É - rolei os olhos fazendo careta também.
- Pois é.

Só ai eu percebi que estávamos de mãos dadas. Não pensei muito antes de encostá-lo na parede e roubar um beijo dele. Não um beijo exatamente. Um selinho demorado. Ele me olhou ficando vesguinho por alguns segundos antes de fechar os olhos e segurar firme em minha cintura de um jeito que fez uma onda absurda de calafrio subir por todo meu corpo. Puxei o lábio inferior dele ao final daquele curtíssimo momento que se tornou um dos melhores da minha vida. Encostar os meus lábios no dele só provou o que eu já desconfiava. Nós tínhamos uma química maravilhosa. Era sempre como uma presença física entre a gente. Mas ele era tão estupidamente tímido as vezes. Quando disse isso a ele uma vez ele disse que eu não deixava muito claro que queria algo além de amizade com ele então disse sutilmente "Só faltava tatuar na minha testa, Edward. Você não percebeu de mula que era". Ele riu.
- Você é mesmo irresistível - pisquei e sai deixando ele ali parado. Sai sem olhar pra trás

Em pouco tempo éramos Edwarlina. Inseparáveis. E desesperadamente apaixonados. No começo hesitamos um pouco em ficar juntos no colégio, não queríamos magoar ninguém. Só que não dava pra disfarçar os olhares, o carinho, e até os ciúmes bobos que tínhamos um do outro. Qualquer um perceberia, era nítido. Como eu já disse, o amor não é discreto.

Eu que pensei que nunca fosse me apaixonar me peguei olhando para ele embasbacada quando o via todo certinho nas suas roupas formais. E então ele sorria, mas não qualquer sorriso. Era um sorriso só dele, que vinha acompanhado de covinhas e de olhinhos puxados. Ah! Ele ficava lindo sorrindo, mas eu também amava quando ele ficava bravo. Era engraçado, ele era tão calmo e eu sempre conseguia tira-lo do sério. Ele preferia ficar emburrado do que brigar comigo, e então era só chegar de mansinho pedir desculpas e lhe dar um beijinho ou dois, ele gostava de roubar mais um e estava tudo resolvido.

Nossa primeira vez não demorou muito para acontecer. Estávamos loucos um pelo outro. Lembro-me de cada detalhe. Eu estava olhando profundamente nos olhos dele e estava presa entre seus braços, um de cada lado da minha cabeça. Achava um charme os cabelos dele caindo sobre os olhos, mas o que me deixava louca mesmo era sua respiração ofegante e o desejo em seus olhos. Toquei o rosto dele e ele beijou minha mão, deslizei as mãos sobre seu abdômen. Ele se arrepiou e então me beijou, me beijou com uma urgência, me beijou como se precisasse de mim para sobreviver. Meu coração disparou e eu suspirei. Suspirei porque se ele precisava de mim, por deus, eu precisava muito mais de dele. Eu precisava que ele me amasse intensamente. Eu precisava de suas mãos, de seu toque, de seu beijo, mas principalmente - exclusivamente - de seu amor.

Subi lentamente uma perna sobre seu quadril e suas mãos apertaram firmes a minha cintura. E dali ganharam vida, desceram pelas minhas pernas, passaram pelas minhas coxas, com uma devoção a cada milímetro da minha pele que eu me senti a mulher mais especial do mundo. Eu precisava sentir a pele dele na minha, então segurei a barra da sua camisa e a deslizei por sua cabeça. Eu tenho que admitir que me surpreendi quando ele não foi nada delicado e rasgou meu vestido. Eu gostei tanto disso que mordi os lábios e sorri, me livrei do resto do vestido e o agradeci. O agradeci do meu jeito, é claro, beijei seu pescoço lentamente explorando cada pedacinho dele. O agarrei pela cintura com as minhas pernas.

- Eu te amo - ele sussurrou olhando em meus olhos antes de segurar meus braços por cima da cabeça e começar a beijar meu colo, depois minha barriga lentamente e cada partinha do meu corpo. Eu perdi o fôlego. Era impressionante o que ele fazia comigo. Eu estava louca por ele, tudo em mim implorava por ele. E ele percebeu isso. Engraçado, ele não parecia nervoso, eu só via a sua preocupação comigo e o seu desejo. Mas ele estava lindo. Confiante e seguro. E eu? Eu nunca havia me sentido tão feliz e tão completa. Quando nossos corpos se misturaram, eu não tive nenhuma dúvida, eu o amava. Eu o amava louca e profundamente. Eu fechava os olhos e o mundo todo sumia. Naquele momento, só existia ele, eu e o nosso amor.
- Você ta cansado? - perguntei sorrindo e acariciando seu rosto suado. Ele riu e disse:
- Eu estou realizado!
Eu achei engraçadinha suas palavras e cobri os lábios dele com os meus e no final do beijo ele mordeu meu lábio inferior.
 - Você é tão linda - ele sussurrou . Eu quis dizer que eram os seus olhos. Mas eu me sentia linda mesmo, me sentia a mulher mais linda do mundo, e então em vez da modéstia, escolhi a verdade:
 - Edward, eu te amo. Você é o homem da minha vida - eu não tive medo da resposta não ser a mesma, porque aquele dia eu sabia, ele me amava. Cada pedaço de dele me mostrava amor. A sua resposta foi um beijo, foi a língua dele explorando minha boca, foi a força exata e precisa de sua mão em minha nuca.
 - Você tem alguma dúvida de que você é a mulher da minha vida? - e a resposta ele sabia, eu não tinha nenhuma dúvida. Eu era tão dele, de corpo, alma e coração.
Esse dia também foi a primeira vez que ele cantou pra mim e eu juro, eu quis casar com ele naquele momento. Quis casar com ele quando sua voz grave cantava "Your body is a wonderland" do John Meyer me fazendo rir e o olhar feito uma boba.
- Damn, baby. You frustrate me. I know you're mine, all mine, all mine. But you look so good it hurts sometimes. Your body is a wonderland. Your body is a wonder. Your body is a wonderland. Your body is a wonderland - ele cantou essa parte em especial olhando em meus olhos profundamente com um sorrisinho no rosto que me fazia rir também. A única droga disso tudo é não poder escutar John Mayer sem lembrar dele. Droga Edward, eu gostava tanto do John.
- Bobo - xinguei e mostrei a língua enquanto ele afagava meus cabelos.
- Linda - retrucou e me deu um beijo - Você é maravilhosa com M de Melina - ele riu fazendo referência ao dia que escreveu Megera na lousa.
- Viu? Nunca julgue uma pessoa antes de conhecer! - debochei convencida.
- Eu fui tão inocente. Quando você disse "prepare-se para um oceano de emoções" no nosso primeiro encontro eu juro que pensei que você se referia ao filme.
E naquele momento eu também quis casar com ele. Não demoramos muito pra isso. Mas isso vem depois.

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