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Sem dúvidas no nosso amor

domingo, 4 de outubro de 2015 / Nenhum comentário

















É engraçado como que por você eu não tenho medo de ser ridícula. É engraçado, e até absurdo a forma que você deu sentido para tudo que eu sempre odiei no amor. É que quando você ama alguém, como eu amo você. Não se tem medo de dizer para os sete ventos. Não se existe vergonha no amor, desde as mãos dadas por ai até os apelidos mais idiotas, tudo faz total sentido quando se ama alguém. Mas, tudo faz ainda mais sentido, quando se ama alguém como eu amo você.

 Desde que o nosso amor se encontrou naquela noite de agosto. Eu tenho andado distraida por ai, tenho ouvido mais buzinas na rua. Por você já fui capaz até de queimar o meu miojo. Por você tenho pago bem mais na conta de agua, mas posso fazer o que? É tão bom cantar no chuveiro a nossa música favorita, ou aquela que me faz pensar em você, ou aquela que tocou na minha mente quando demos o nosso primeiro beijo, o repertório sobre você é grande. E eu me distraio fácil, amor. Me distraio fácil quando penso em você.

Fico pensando em todos os nossos quandos. Eu que sempre fui a garota do agora, não vivo mais de se, e sim de quandos. Quando a gente se casar. Quando nós tivermos nossos filhos. Quando ficarmos velhinhos ao lado do outro. Quando comemorarmos a nossas bodas de ouro. Qual o problema? Pra que tantas dúvidas, se eu nunca tive tanta certeza? Sem interrogação. Eu nunca tive tanta certeza. Quero margaridas no nosso casamento. Quero uma filha chamada Julieta. Quero jogar bingo ou jogos de roleta. Quero te ajudar a lembrar quando você esquecer, quero me enjoar de repetir todas nossas histórias daquele jeito performado, que eu começo e você termina.

E se? E se eu te amasse por toda minha vida e mais um pouquinho? E se? Seria muita loucura? Eu não ligo. Essa é a única hipótese que eu aceito para o nosso amor infinito.

Ela é diferente de todas as outras

domingo, 16 de agosto de 2015 / Nenhum comentário

















O problema é que ela chegou rindo e falando bobagens. Ela foi diferente desde o oi. Ela não diz oi como todas as outras, ela diz oi e em seguida um monte de bobagens. Eu gosto do jeito que ela ri de si mesma, mas confesso que às vezes não consigo prestar atenção em nenhuma palavra. Porque o sorriso dela me rouba. O sorriso dela me rouba até dela mesma. Eu amei essa garota desde a primeira vez que a vi, mas foi pelo sorriso. Você acredita em amor a primeira vista? A resposta seria não. Agora se me perguntassem você acredita em amor ao primeiro sorriso? Ai sim a resposta seria diferente. Totalmente. Eu sou a prova viva de amor ao primeiro sorriso.

Ela tem um magnetismo que a torna tão atrativa. Me arrasta até ela mesmo sem querer. Ela tem aquela pose de durona. Tem aquele olhar gelado. E sorriso irônico. Mas quando ela desmonta é tão doce. Quando estou com ela só consigo olhar para os lábios dela. Olho pra ela enquanto ela come morango com chantilly e me diz despretensiosamente "Quer provar o gosto do morango nos meus lábios?" e é claro que eu quero. É tudo que eu mais quero. Nenhuma combinação é mais gostosa que os lábios dela com o gosto do morango. Ela sabe como me enlouquecer e mal percebe isso. Faz sem querer. Me gama sem nem ver. Que menina má. Nem tão má assim, porque eu gosto. Eu gosto desse jogo de enlouquecer. Um quarto todo branco pra me tratar da loucura nela seria totalmente agradável se ela estivesse comigo. Eu não ligo de ser louco, se isso significa ser louco por ela.

Gosto da forma que a gente faz amor. Gosto de ser íntimo dela de todas as maneiras. Gosto do jeito que ela se sente á vontade comigo e da forma que ela desfila pelo meu quarto nua. É que ela sabe o quão linda ela é, e não tem nenhum problema em espalhar sua beleza em meus olhos. Ela me morde. Me arranha. Me marca. E me diz bem baixinho como se fosse um segredo de estado "É pra mostrar pra todo mundo que você é meu", mal sabe ela que não é necessário marca nenhuma para que saibam que eu sou dela. Ta escrito em minha testa. Ta escrito no meu olhar. Ta escrito até nas coisas que nem escrevi ainda, porque sei que se eu fosse escrever seria sobre ela. Ah! Seria sim. Apenas ela.

Você precisa mais do que apenas dizer que ama

sexta-feira, 7 de agosto de 2015 / Nenhum comentário

















Você tanto falou que me amava que eu acreditei. Eu acreditei em cada palavra. Porque, puta merda, você é um bom mentiroso. Peguei minhas coisas e enfiei dentro da mala. Joguei um monte de coisas fora para caber dentro da sua vida. E fui, sem hesitar, sem medos, e sem armaduras. Fui de corpo e alma para você. Fui sem ter pra onde voltar depois. Porque meu plano era bem simples: nunca precisar voltar ou ir para qualquer lugar que não fosse com você. E naquele momento, eu sabia, só precisava de você para ser feliz.

Nada seria capaz de me ensurdecer mais do que o barulho da porta que você bateu na minha cara. Eu queria que você abrisse pra me olhar nos olhos, mas nem isso você quis. Apenas disse que não podia. Porque eu sei que se você me olhasse, você abriria a maldita porta. Eu ouvi em alto em bom som o que te impedia de abrir, era medo. Você nunca entendeu meu jeito impulsivo, sempre fingiu entender, mas no fundo você sempre teve medo dele. Eu tinha planos tão bonitos para nós dois. Nós dois em um carro em alta velocidade, sentindo a brisa gostosa, ouvindo nossa música favorita. Beijos apaixonados em baixo de uma figueira. Noites inteiras em claro matando a saudade e a necessidade que sempre sentíamos um do outro. E o medo de não dar certo abortou todos esses planos. Eu entendo, você que deu a ideia de nós dois. E eu por muito tempo achei que não fosse a melhor ideia, mas eu tinha certeza. Se você me enxergasse apenas um pouquinho, ia ver que eu tinha certeza de nós dois.

Sentei na porta de sua vida e fiquei repassando nossos momentos. Eu podia até sentir o gosto do seu beijo apaixonado, sua mão levemente me encostando mais a você. Nossas peles queimando juntas no nosso elétrico contato. Lembrei da forma que seus olhos de menino perdido ganhavam paz dentro do meu abraço. Eu gostava da felicidade que nós exalávamos juntos, era sempre assim, era só estarmos juntos que o mundo todo sumia e de repente era só nós dois. Nossas gargalhadas sincronizadas. Os olhares cúmplices. Então chorei. Chorei toda a saudade que já habitava em mim. É que com nós sempre foi assim, saudade mesmo sem estar longe. Talvez fosse porque, de fato, nunca conseguimos nos aproximar. A nossa sina eterna de Romeu e Julieta.

Juntei todas as forças que eu tinha e me levantei. Suspirei fundo, e pensei em um ditado “não adianta dar murro em ponta de faca” só pra te contradizer naquela vez que você sussurrou baixinho em meu ouvido em mais um de seus muitos rompantes de amor “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”. E não é por birra que te contradigo, só acredito que meu ditado, no nosso caso, fez mais sentido. Você não mentia só para mim quando dizia que me amava. Você achava que aquilo era amor, e acreditava piamente em cada palavra sua, acho que isso que te tornava tão bom. Mas em meus míseros vinte e tantos sei que amor se prova com atitudes. Dizer que ama é muito fácil, é como dar um cheque sem fundos se você não pode provar. Se você me amasse mesmo. Você abriria aquela porta metafórica do amor para mim. Você fechou. Acabou. E eu fui. Joguei minhas coisas na primeira esquina e peguei carona com o desconhecido. Sempre fui fascinada por recomeços.

Só não diga que não valeu a pena

terça-feira, 4 de agosto de 2015 / Nenhum comentário





Doeu colocar todas suas coisas numa caixa. Doeu mais ainda fazer isso pelas suas costas. Doeu ver em seu rosto a surpresa ao ver suas coisas todas embaladas. É que você já sabia, a gente estava indo. E para onde quer que fosse íamos separados. Por isso em seu rosto a surpresa, e também, se eu não tiver imaginando, dava pra ver a dor. Não quis olhar nos seus olhos, eu sabia que se eu olhasse para eles não teria coragem de ir para qualquer lugar que não fosse com você. E eu poderia ficar, eu sei que poderia. Mas isso não mataria minha vontade de ir.

Eu sei que você vai afirmar que sou uma louca egoísta para os quatro ventos. Eu não vou dizer nenhuma palavra sobre isso. Vou deixar você me odiar. Porque eu nunca vou poder te odiar. Eu sempre vou verdadeiramente, profundamente e absolutamente amar você. Do meu jeito, mas irei. Eu vou te amar onde e com quem eu estiver. Por isso fui enquanto havia amor. Eu interrompi um trem em plena velocidade, pois sabia que ele corria para um precipício. Eu sei que de dentro do vagão que você estava dava a impressão de que interrompi uma grande viagem de chegar ao seu destino, mas eu conseguia ver o final. Apertei o freio antes de ser tarde demais.

São tantas metáforas para dizer que me apaixonei por outra pessoa. É que todos sabem que todo e qualquer sentimento envolvido é totalmente desvalorizado quando dizem "me apaixonei por outra pessoa". Eu sei o que você diria "Você é como uma vampira, suga todo o sangue e quando não tem mais nada você vai embora. E vai louca atrás daquele transe que um corpo intacto te trás" seria sua metáfora para dizer que eu sou vazia. Que não sei amar. Eu consigo ler entre as suas frases cortadas. Eu sei que te dói. Mas acredite, me dói absurdamente também. E talvez eu seja mesmo uma vampira. Mas em vez de sangue alheio eu precise me sentir viva. Coração acelerado. Arrepios arrebatadores. Respiração ofegante. E... Eu não sinto mais isso com você.

Eu, que já chorei um rio inteiro. Me afoguei nas minhas próprias lágrimas uma pancada de vezes. Não queria que achasse que não valeu a pena. Pelo menos isso, me odeie, me xingue, mas, por favor, nunca diga que não valeu a pena. Uma vez li que amor nunca acaba, que amor nasce e morre. Talvez seja verdade. Mas eu acredito piamente que sou diferente nesse quesito, pois guardo nosso amor, nosso insano e jovem amor, no meu coração e nas minhas memórias. E não acredito que ele morreu. O primeiro amor é inesquecível. Mas as vezes ele não se faz eterno.

Eu sinto muito, amor - eu sei que não tenho mais direito de te chamar assim, mas é força do hábito. Eu sinto muito mesmo. Mas é que com você eu senti uma das melhores sensações do mundo que é estar apaixonada. E acho que eu me viciei nisso. Meu coração não bate mais por você como deveria, e é horrível que ele bata descompassadamente por outro alguém. Eu vou subir em outro trem, você sabe que eu vou. Sempre fui o impulso em pessoa. Mas ainda assim, se disserem seu nome em qualquer lugar do mundo, em qualquer estação, em qualquer esquina, eu ainda vou fechar os olhos por alguns segundos e ter um flash do meu inesquecível primeiro amor. Porque viver é sentir. E com toda certeza o que sentimos um pelo outro valeu a pena. Só te peço isso, acredite que valeu a pena.  

O mistério dos olhos dela

segunda-feira, 20 de julho de 2015 / Nenhum comentário

Sempre quis saber o mistério que se escondia sob o olhar de Maria. Maria criatura esquisita. Tinha mania de morte. Única garota que conheci que tratava a morte com uma leveza espantadora. Vivia como se não houvesse amanhã. Não, não era uma dessas loucas desvairadas em baladas, nem se drogava ou sequer fumava. Era apenas contra a qualquer tipo de relacionamento, dizia não se sentir preparada. Mas, no fundo, era porque ela não se via em um futuro. Vivia alternando por ai. Não se conectava de fato com alguém. Claro que eu fui uma exceção. Não, Maria não se conectou a mim. Mas eu me encantei por Maria. Ah! Me encantei todos os dias por Maria.

Maria não fazia questão de ser mistério de ninguém. E não pareceu se importar quando insisti em ficar ao seu lado. Se você insiste - foi o que ela me disse quando a chamei para sair pela terceira vez. Mesmo que ela não fizesse nenhum esforço para ser agradável vivia cheia de ironias e sarcasmo. Mas quando ela sorria... O som da risada dela tinha um efeito louco em mim. Não acho nesse mundo nada que se compare ao som da risada dela. Mas poderia descrever como maligna. Talvez parecesse com o gargalhar de uma vilã. Maria sempre teve fascínio por vilãs. Sua mãe me disse que, quando pequena, era fã devota da Cruela Devil. Cruela? Que criança gosta da Cruela? Só ela.

Não era um personagem. Era apenas como ela era. Eu posso dizer que fui intimo o bastante dela para que pudesse observá-la sem aquele delineado grosso que sempre usava. Ela sorriu e me perguntou porque eu estava a olhando daquele jeito. Eu a disse que ela ficava diferente sem maquiagem. Era mentira. Ela continuava a mesma, só disfarcei minha curiosidade sobre aqueles olhos, pois seu olhar ainda era o mesmo. Triste. Ria das coisas mais idiotas. Perdia o fôlego rindo das coisas mais banais da vida. Não esqueço o dia que ela viu um casal ser ensopado por um caminhão que passou por cima de uma poça. Ela repetia incontáveis vezes: você viu a cara dela? E ria. E eu ria também. O som das nossas risadas juntos fazia um som bonito. Mas mesmo quando sorria, seu olhar ainda era triste.

Seus cabelos eram tão escuros quanto sua alma parecia ser. E eu com certeza não era como um daqueles insetos que são atraídos pela luz. Nada em Maria era contagiante. Não era dramática, para os outros parecia normal. Era linda, dançava como uma stripper, e as vezes sorria como um anjo. Chamava a atenção de qualquer um. Mas sua alma gritava por socorro todos os dias. Só que em silêncio. E ninguém percebia. Tentei a ajudar com uma lanterna, mas acabei me perdendo naquela escuridão.

Morreu aos dezoito anos de idade. Dizem que foi um acidente, bateu a cabeça em uma pedra numa cachoeira. Mas eu não acredito nisso. Só quem conhecia Maria sabia que ela sabia. Ela já sabia que morreria. De algum jeito estranho ela sempre me pareceu meio morta. E, quando se foi, levou um pouco de mim. Não chorei quando soube. Só me permiti chorar quando tive que passar maquiagem em seus olhos no seu corpo imóvel. É que algo me dizia que ela precisava daquele traço escuro. E se ela havia me dado o privilégio de ser o único a vê-la sem aquilo. Eu seria o único até o fim. Talvez, não fosse ela que precisasse, eu desconfio até que ela me mataria por aquele delineado torto. Admito. Talvez eu precisasse daquilo. E esse era o mistério de seus olhos. Um dia eu os veria fechados para sempre.

Eu nunca quis te ganhar

quinta-feira, 16 de julho de 2015 / Nenhum comentário

Procuro não olhar direito para aquele apartamento desde que você saiu. Tenho medo de me perder em algum canto procurando por você. E o pior é que você nunca morou aqui de verdade para deixar tanto de você. Você podia dormir aqui todas as noites, mas sempre dizia que estava muito cedo para morarmos juntos. Você não fazia planos comigo e eu me sentia o mais otário dos seres ao notar que você estava em todos os meus. Você era convidada certa no almoço de pascoa com a minha família e até no réveillon que eu planejava em Copacabana. Você estava nos meus planos o ano todo. E eu parecia não estar nem na sua próxima saída. Mas você saia do apartamento e deixava suas coisas lá. E eu me convenço de que você deixa como desculpa para voltar. E de fato, você sempre volta.

Enquanto bebo a minha cerveja gelada tentando relaxar. Não me sinto surpreso quando não consigo relaxar nem por um instante. Tem sido assim desde que eu te conheci. Eu nunca quis apresentar nenhuma outra garota para minha família, mas tinha mensagem da minha mãe no celular perguntando de você. Justo você, a garota que não queria nada sério. Aquela que me fez aceitar ter um quase-relacionamento – você pode chamar de nada, se quiser – quando eu queria… Deus, eu queria até me casar com você. É como um vício, você me da pouco e eu sempre fico querendo mais. Me sinto um maldito viciado em você. Mesmo quando te ignoro por dias, mas dentro de mim não dá pra ignorar a sua constante presença. Mesmo quando flerto com outras garotas, nenhuma delas parece com você. Posso tentar me convencer de que é essa a ideia, mas no fundo sempre procuro por você, procuro por você em qualquer outro olhar.

Te confesso mais uma vez o quanto você mexe comigo. Você responde dizendo que gosta muito de mim. E, então, te olho brincando com seu cachorro, cheia de amor, beijos e carinhos e penso comigo que você gosta muito dele também. O problema é que eu já passei dessa fase de gostar muito. Eu te amo, caralho. E eu sei que não te digo isso também. Mas você sente, não é possível. Você me conhece, sabe que eu não costumava ir tão fácil assim atrás de alguém. Você me conhece, sabe que eu sou paradão na sua. Mas você prefere construir um bloqueio entre a gente e enquanto eu te vejo lá toda empenhada em erguer os tijolos me dou ao luxo de perguntar “Porque você está fazendo isso?” e você me vira com aquele seu sorriso lindo e diz: “Ah, é só por precaução. Vai ficar tudo bem”. Eu acredito, mesmo estando do outro lado eu acredito. Eu só demorei para perceber que todo o esforço era para me afastar.

Nós somos a melhor coisa que eu já fiz. Mas eu realmente fiquei trancado aqui do outro lado do bloqueio. Parece que você sempre espera que eu faça alguma coisa horrível que justifique essa vontade de ficar longe de mim. E a única coisa horrível que eu faço sempre que a gente se afasta. É isso, ficar longe de você. É acordar com o outro lado da cama vazio. É não ter a minha parceira. É não ter ninguém para jogar Call of Duty comigo – só você faz isso, eu já aceitei que nisso você é única. É não ter ninguém para virar aquela dose e me dizer que eu sou fraco por você conseguir terminar primeiro. Mas eu vou ter que te confessar que eu sempre te deixo ganhar, só porque eu gosto da expressão que seu rosto faz, quando abre os olhos depois da careta que o gosto forte da bebida estampa em sua face. Você abre os olhos, eles se iluminam e até sorriem quando percebe que ganhou. E isso automaticamente arranca um sorriso do meu rosto, que eu logo disfarço para você não perceber que eu te deixei ganhar. Eu sempre vou te deixar ganhar. Você fica bem como vencedora e eu não sinto a perda quando é para você. Mas no caso da nossa aposta de quem se apaixona primeiro. Eu te digo aqui e agora, garota, você ganhou sem precisar de nenhuma ajuda minha. Mas eu ainda posso ser o primeiro a ir embora. Não me faça desistir de nós dois e decidir “ganhar” dessa vez. Porque eu tenho a impressão de que nós dois sairíamos perdendo.

Para onde vai o nosso tudo quando se torna nada?

terça-feira, 14 de julho de 2015 / Nenhum comentário

Por um pequeno momento esquecemos que nós somos o que somos agora. Eu virei para você e nós achamos graça da mesma coisa, como sempre costumávamos achar, e rimos até doer a barriga. Enquanto a nossa risada se misturava parecia que estávamos curados do que tínhamos nos tornado. O problema é que é nos olhos que a verdade se esconde. Bastou encarar seu olhar por alguns segundos. E puft. Estalo. O que estávamos fazendo? E, então, ficamos tristes de novo. É que durou tão pouco. 

Durou tão pouco a sensação de que não éramos o nada que nos tornamos. De repente aquela sala parecia nos sufocar. Eu tomei a iniciativa de sair primeiro. Você sorriu condescendente. E me doeu saber que provavelmente você suspirava de alivio porque eu estava dando as costas a você. Assim como eu estava aliviada por não ter que falar com você sobre qualquer assunto que nunca fez nosso tipo. "Nossa, ta frio, né?". Eu não queria conversar com você sobre o tempo, porque não faz sentido algum. Faz? Me diga se faz. A gente nunca falou sobre tempo. Você me aquecia com seu abraço. E eu preferia estar morta ao ter que te olhar ali de braços cruzados, frio como o Alasca "Eu vi no jornal que o tempo vai fechar no fim de semana". Faz algum sentido? Eu não conversaria sobre tempo nem no elevador, imagina com você. O que fechou foi o nosso tempo.

Costumávamos ser tudo um pro outro. E para onde vai o nosso tudo quando se torna nada? Simplesmente morre? Não sei. Mas se eu tivesse que apostar eu diria que o nosso tudo virou essa barreira que mora entre a gente agora. Onde costumava ser caminho livre agora é terra proibida. E não somos rebeldes a ponto de arriscar invadir ou pular o muro onde sabemos que a queda é feia. Ou melhor já foi. Caímos faz tempo e não foi de nenhum muro. Caímos fora da vida um do outro. Mas eu preciso dizer que senti falta de um adeus. Por tudo que fomos acho que não merecíamos essa coisa de covardes de ir sem olhar para trás. E você foi. E eu? Também.

X - Fim, começo ou recomeço?

sexta-feira, 10 de julho de 2015 / Nenhum comentário
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  “Ligo o rádio e tá tocando sua música favorita. É aquela banda de rock esquisita. Mas me dá um calorzinho no peito ao ouvir aquele som. E eu percebo que amo aquela música, assim como eu amo você. Se nada me salva de mim, eu ficava feliz em poder te salvar. E poder continuar te amando aqui, quietinha, ouvindo sua música favorita. Ninguém precisava saber. Porque nosso amor é amor de promessa. E temos os prazos mais estranhos, como as próximas vidas. Você já deve ter se perguntado? Por que não aqui? Por que não agora? Queria que soubesse que também me pergunto. E, ah! Não tenho resposta...

Era fácil rir com Aidan. Fazíamos isso o tempo todo. Ele era meu companheiro em tudo. No trabalho. No dia a dia. Ele procurava me proteger e me entender sempre. Mas não eramos de fato um casal. Aidan era a pessoa que me via da maneira mais bonita que alguém pode ver alguém. Me botava pra cima. Me guiava para as coisas certas. A gente pode até pensar que não, mas precisamos as vezes de um estalo pra perceber que estamos indo pra direção completamente errada. Aidan foi meu estalo.
Decidimos fazer a nossa primeira viagem sozinhos. Sem destino. Apenas procurando lugares incríveis que não fazíamos a menor ideia que poderíamos estar um dia. E foi o que fizemos. Pegamos a estrada e saímos por ai. Achamos uma cachoeira no meio do caminho. E eu pedi para que ele parasse lá.
- Melina… Você sabe o que dizem dessas cachoeiras de estrada? Que são o local favorito de maniacos assassinos. E que são um ótimo lugar para morrer sem que ninguém saiba.
Fiz uma careta.
- Ninguém diz isso – retruquei – Tá, não vou desconfiar de você. Quem diz isso?
Ele demorou a responder.
- As pessoas – finalmente chegou a uma conclusão. A qual não achei nem um pouco confiável.
– Você está com medinho? - perguntei rindo
- Não é que eu esteja com medo. Mas também não estou seguro de que está cachoeira é o melhor lugar.
– Não foi isso que viemos fazer nessa viagem? Procurar… lugares… novos – disse com desdém – E agora você tá com medinho? Poderíamos ter ido pra Paris, então. Todo mundo vai pra Paris e poderíamos ser mais um cas… Poderíamos estar em Paris. E fazer o que todo mundo faz em Paris. Visitar a torre Eiffel. E comprar uma lembrancinha da torre pra lembrar pra sempre que fomos a torre...
- Eu não tenho nada contra Paris! Absolutamente nada.
O encarei.
- É sério! Vamos? - pedi com jeitinho
- Se nós morrermos. Eu não vou te perdoar por isso. Nem no céu e nem no inferno. Serei seu karma e você terá que me aturar durante todas as suas próximas vidas.
- Ok. Não me parece tão ruim – sai do carro animada quando ele, finalmente, parou. E o puxei pela mão.
Descemos por um caminho de pedras e avistamos a cachoeira. Era simples, mas bonita. Queria dizer que era o lugar mais incrível do mundo, mas era apenas uma cachoeira. Pequena e meio escura.
- Não é isso tudo – disse Aidan.
- É – eu fui obrigada a concordar – Mas podemos fazê-la apenas um cenário do nosso tudo.
- E como você preten…
Comecei a tirar minha roupa, sem deixar de o olhar nos olhos, sorrindo em convite.
- Você tá zoando… - ele levou a mão a cabeça – Tá… Você não tá zoando – ele arrancou a camisa e me seguiu até a cachoeira.
Fiquei mergulhando para tentar espantar o frio. A água era congelante.
- Você é tão maluca – disse olhando nos meus olhos nadando até mim.
- Não sou não – retruquei fazendo beicinho – Eu estou com frio – murmurei tremendo – Deveria ter te ouvido! - ri.
- Agora que já estamos aqui. Deixa eu te esquentar.
Ele me pegou pela cintura e realmente me esquentou. De todas as maneiras. E aquele momento poderia ilustrar tudo que eu sentia pelo Aidan. Ele esquentava a minha alma fria. Ele me fazia um bem danado.

…Eu sei que não sou a melhor pessoa do mundo. Que ajo sem perceber e magoo sem querer. Mas gostaria que soubesse que eu queria poder consertar muitas coisas que fiz. Não queria ser o seu tsunami. Não queria destruir nada pra você, enquanto você só construiu pra mim. Queria que soubesse. Ou não. Que quando me deito ainda penso em você. Que não foi tão fácil assim pra mim, como você jura que foi...

Eu me sentia bem com Aidan. Não era como se ele desse sentido aos meus dias, não. Era só como se eu fosse mais feliz quando ele estava comigo. Não era uma coisa assustadora. Era paz. Era carinho. Era tesão. Era amor. Era amizade. Era tudo que eu queria. Ele me fazia me sentir bem comigo mesma. E eu tinha vontade de ser tudo isso para ele também. Mas, ele não deixava. Por mais que eu tentasse… Havia sempre algo entre nós.
- Eu te amo – murmurei beijando os cabelos dele e acariciando seu rosto – Você tá triste?
- Você me deixa maluco, sabia? Isso me assusta. Eu estou perdendo a cabeça!
- Por que? Eu to aqui. Eu to nas suas mãos, literalmente – sorri olhando pros braços dele me aninhando na cama pela cintura – Não precisa ficar maluco!
- Eu só não quero ser o cara passional, sabe? Eu nunca fui assim. Mas eu tenho um medo do caralho de te perder.
- Você não vai me perder – exclamei um pouco irritada.
- Melina… O que nós somos? - perguntou incisivamente.
- Como assim Aidan?
- Viu, é uma pergunta simples e você não sabe me responder. É por isso…
- Meu Deus, é por isso o que? - sai de cima de Aidan e olhei para o teto – Eu só to indo com calma Aidan, só isso. Mas isso não significa que eu não te ame.
- Eu… Só queria me sentir menos perdido nessa história. Não sei se me entrego, ou se te dou espaço.
- Espaço, só se for pra pegar velocidade na minha mão pra dar na sua cara – brinquei e arranquei um sorriso dele.
- Desculpa! Mas é que… - respirou fundo – A Cecelia me disse que o Edward está voltando. Eu não sei quando, nem porquê, mas ele vai voltar.
Tentei não parecer tão pasma. Não falava com Cecelia direito desde o episódio do Aidan. E Edward, obviamente, não havia me dito nada. Voltando para quê? A vida dele não estava tão boa lá?
- Está? - perguntei tentando parecer desinteressada.
- Está – ele levantou nervoso. Provavelmente percebeu que eu estava interessada.
Esperei ele sair do banheiro e o agarrei pelas costas.
- Isso não faz diferença! Sério! - afirmei com um sorriso – Agora, você vai voltar comigo para aquela cama e nós só vamos sair de lá amanhã cedo. Okay?

E naquele momento não fazia diferença mesmo. Eu estava bem. Eu me sentia perfeitamente bem. Eu amava o Aidan. Ele significava tanto para mim que qualquer coisa que fosse nos atrapalhar parecia pequena perto do nosso sentimento. Porque amor não é aquela coisa perfeita. Aquela coisa de adolescência. Amar é amar a pessoa por inteiro. É amar de qualquer lugar, longe ou perto. É nunca abandonar. Era o que eu sentia. Mas quando o Edward voltou, todas as minhas convicções adquiridas desmoronaram.

...Desligo o som. Acabou sua música. E aquele calorzinho no peito dá lugar pra uma pequena angustia e um vazio insistente. Fecho os olhos e prometo a mim mesma que eu tenho que te tirar da minha cabeça. Assim como eu tirei da minha vida. Não adianta insistir em algo que não era pra ser...

Nunca me culpei por mudar de idéia. Eu sempre gostei de mudanças. Mas eu não gostava de machucar as pessoas. Só não deu pra segurar. Eu me lembro de cada detalhe do dia que ele voltou. Eu estava saindo da minha casa e estava de mãos dadas com Aidan. Eu ria de alguma besteira que ele havia falado e de repente. Perdi o ar. Edward estava parado do outro lado da rua. Me olhando. Eu o olhei e ele não desviou o olhar. Senti que minhas pernas iam perder as forças.
- Tá tudo bem? - Aidan perguntou preocupado, aparentemente não percebendo a presença de Edward.
- Uhum – murmurei e entrei em seu carro para ir até a redação da revista.
Não pensei em mais nada o dia todo. Era como se minha cabeça tivesse sido abduzida e estivesse em algum lugar do planeta. Em algum lugar? Quem eu queria enganar? Estava no Edward. Estava no seu olhar magoado. Estava em seus cabelos escuros. Na sua tristeza ao me ver com outro.
- Aidan, você se importa, de dormir na sua casa hoje? Eu preciso ficar um pouco sozinha.
Ele franziu o cenho, mas concordou. Percebi que ele estava magoado. Mas era verdade. Eu precisava de um tempo sozinha. Pelo menos era o que eu achava que teria.

Entrei em minha casa ainda atônita. Fechei a porta e corri pra geladeira encher um copo de vodka. Fazia uns tempos que eu havia parado de beber, pois eu já estava perdendo a noção. Estava tentando me manter longe dos vicios. Das festas. E me focar no meu trabalho e no meu novo relacionamento. Uma boa vida. Uma ótima vida. Afinal, eu estava amadurecendo. Precisava de um foco. Bebi de uma vez só e levei um susto quando olhei para o sofá.
- Edward? - perguntei chocada.
- Chave embaixo do tapete – explicou.
- Ah – ri fraco – É… Não sei o que fazer, te ofereço um café… ou pergunto o que você quer aqui?
- Acho que a primeira seria mais educada, mas eu não quero um café. Eu vim conversar, Melina. Eu vi que você tá bem. Mas eu preciso disso, ok? Preciso pelo menos de uma despedida.
Ah. Ele precisava disso? E eu que precisei dele por tanto tempo. E agora, ele precisava “pelo menos” de uma despedida? Era muita cara de pau mesmo.
- Você quer uma despedida? Aqui sua despedida – acenei pra ele com um sorriso forçado – Tchau, Edward!
Ele mordeu os lábios para segurar o riso. Do que ele estava rindo?
- Adoro quando você faz isso. Finge que não se importa e tenta afastar as pessoas com sua frieza. Mas comigo não cola, Melina. Eu te conheço. Vamos lembrar disso. Agora dá pra parar? Só vamos conversar.
- Você acha que me conhece… Você não me conhece… Não mais!
- Bom… - ele se aproximou. Nem preciso dizer que meu coração disparou, né? Então. E pegou minha mão, dando um beijo no meu dedo mindinho – Eu acho lindo esse dedo, que você chama de torto, mas eu não acho que ele seja torto. Ele só é diferente. Ele me faz pensar em você na sua infância, fico imaginando o escandalo que você deve ter feito depois do tombo. Eu gostava de te imaginar quando criança, sabia? Gostava de imaginar que tipo de criança você seria. Também sei do seu amor por gatos. Sei seu livro favorito. O seu filme. Sei, inclusive que, você não acredita em nada que você está falando. Você sabe que se tem alguém que te conhece no mundo, esse alguém sou eu. Agora me deixa fazer uma pergunta. Você – ele frisou bem a palavra - está chateada comigo?
Ele não estava perguntando isso. Ele não podia perguntar isso. Era o fim. Vai me dizer que Edward se achava no direito de estar magoado comigo? E não podia perguntar isso perto daquele jeito. Me dava falta de ar.
- Você quer a verdade? - tentei falar calmamente, mas tenho certeza que meu tom saiu cheio de ressentimento – Estou. E eu preferia não ter que te ver mais. Mas já que você insiste. Eu digo, eu estou sim, chateada com você. Por tudo Edward, pela sua falta de consideração com a nossa história. Por ter me deixado acreditar por anos que a gente ia ficar junto. Por não estar comigo quando eu precisava de você. Por sempre achar que você é o mais importante e nunca ter se importado em como eu ia me sentir.
Ele escutou atentamente e ao final do meu desabafo eu estava chorando. Aquilo tudo estava preso em minha garganta.
- Eu nunca me importei? Tudo que eu mais fazia era me importar com você, Melina. Eu tinha que fazer aquela viagem, eu precisava trabalhar, estudar… Eu cresci muito como pessoa. E eu quis mais do que tudo te levar comigo, mas eu entendi quando você quis ficar. Eu não podia estar presente. Mas eu estava cumprindo minha promessa. Eu não desisti, não importava o que me acontecia.
- Você está dizendo que eu desisti? É isso mesmo? Eu não desisti, Edward. Eu só cansei de te esperar. Cansei de esperar suas mensagens. Cansei de viver algo que pra mim não era real.
- E eu te deixei desistir. Eu nem insisti. Sabe por que? Porque sabia que era melhor pra você. Mesmo morrendo por dentro. Eu deixei você ir. Mas pra mim sempre foi real, se pra você não foi – ele levantou magoado, mas eu não resisti e segurei em seu braço.
- Edward – o olhei – Não é isso. Desculpa! Eu nunca havia parado pra pensar no seu lado. E se você veio aqui me dizer tudo isso, é porque se importa, pelo menos um pouco.
- É claro que eu me importo! Me importo muito… Bom, eu não vim aqui pra te deixar triste – ele levantou meu rosto – Eu só não queria que você tivesse raiva de mim. Porque você foi a melhor coisa que me aconteceu.

E o que eu ia fazer? Baixei a guarda. Não dá pra lutar com quem quer fazer bem. Havia tanta verdade na voz dele. E havia tanta saudade em mim. O problema é que não pertencíamos mais um ao outro. Eu não poderia o beijar como beijaria antes. Não poderia o abraçar e dizer que o abraço dele era o melhor abraço do mundo. Não poderia dizer que eu o amo. Tudo porque o destino afirmava que não pertencíamos mais um ao outro. E eu tinha que aceitar. Tinha?

- Você também foi a melhor coisa que me aconteceu – afirmei – Eu não to chateada. Com esse tempo separados aprendi alguma coisa – sorri – Me dá um abraço? Podemos terminar isso bem.
Ele atendeu meu pedido e me abraçou bem apertado. Parecia sonho. Não era como se fosse real. Mas era. Eu não sei se errei em pedir aquele abraço ou se acertei. Mas qualquer uma das opções levava a um caminho difícil.
- Que abraço bom – sorri – Agora vai logo, antes que eu te sequestre – ri fraquinho apoiando minha cabeça no ombro dele.
- Hm – disse beijando meus cabelos – Ainda tem cheiro de pessego – deu um beijo em minha bochecha parecendo receoso. E pronto, não resisti. Encostei meus lábios no dele dando um selinho demorado. Nossos lábios não conseguiram ficar afastados do caminho que eles conheciam de cor, o do nosso beijo.
 – Edward, - disse com meu coração pulando alto no peito – Por favor, vai embora! - pedi.
Ele se afastou, e abriu a porta. Eu senti um misto de alívio e tristeza, mas não por muito tempo. Pois ele voltou, enfiou a mão nos meus cabelos e me fez olhar nos olhos dele. Era covardia. Era impossível pra mim. Eu simplesmente não podia recuar. Então nos beijamos. E o pior, nos beijamos apaixonadamente.
- Edwar... - murmurei entre o beijo tentando o repreender, mas segurando em seu quadril com uma mão e o puxando pra mais perto, retribuindo o beijo com vontade. O que adiantava falar uma coisa e fazer outra? Era exatamente o que eu estava fazendo quando tentei o repreender e continuava o agarrando loucamente.
Ele segurou em minha cintura e me encostou na parede, ainda segurando a minha nuca.
- Desculpa por isso – pediu com a respiração ofegante. E em seguida mordeu meu lábio inferior.
Fiquei olhando pra ele por alguns segundos com a respiração acelerada
- Ah, claro. Esse é um ótimo momento pra pedir desculpas - ri e puxei seu lábio de volta. Enfiei minha mão por baixo da camisa dele e desci meus dedos devagar por suas costas. Dei um beijo em seu pescoço e em seguida o marquei com um chupão - Ops - sorri - Desculpa por isso também. Sinto muito – o provoquei sorrindo.
- É um ótimo jeito de pedir desculpas. - ele riu e beijou meu pescoço, apertando uma de minhas pernas. Aproximou seus lábios quentes do meu ouvido e mordeu minha orelha enquanto agarrava minha cintura por dentro da blusa - Me desculpa mais uma vez – disse quando ouviu meu gemido, e deixou um sorriso vencedor escapar de seus lábios convencidos.
- Desculpo... - pulei em seu colo e o agarrei com as pernas - Mas você vai ter que me desculpar por isso também - puxei sua camisa pra cima e a passei por cima de sua cabeça a jogando no chão. Segurei forte nos cabelos dele, o beijando com voracidade explorando sua boca com a minha língua e o abraçando forte com as pernas tentando acalmar o calor do meu corpo por ele.
- Eu desculpo. - ele riu. Apertou minha cintura com mais força e me empurrou contra a parede, beijando meu pescoço sem nenhum pudor - Eu acho que vou precisar de muitos pedidos de desculpas por isso – então rasgou minha blusa fina com pressa e apertou meu seio por cima do sutiã me fazendo ir a loucura.

Eu simplesmente não resisti. Fizemos amor a noite toda. Matamos a saudade que estava querendo matar a gente e qualquer mágoa que podia existir entre nós, parecia meio inútil. Mas ainda existia outras coisas além da nossa paixão.
- A gente não deveria ter feito isso – murmurei afundando minha cabeça no peito dele.
- Por que? Por causa daquele seu namoradinho idiota? - ele riu sem humor nenhum.
- Também. E ele não é idiota!
- Não vou ficar aqui falando dele – bufou.
- Não pedi isso, mas…
- Você seguiu a vida e eu to fora né? Relaxa. Só ainda não aceitei. É difícil ouvir notícias suas com aquele… Aquele… Idiota! - gruniu. E eu nunca tinha visto Edward tão bravo.
- Eu sei que é difícil pra você. Pra mim foi horrível quando vi que você estava em um relacionamento sério com aquela Barbara lá... É que a gente já se acostumou a ser um do outro – disse refletindo, enquanto me cobria com um lençol.
- Para de se cobrir. Eu gosto de ficar te olhando – pediu tirando o lençol de mim. E eu percebi que ele estava mudando de assunto.
- Edward… - o olhei tentando criar coragem. Me levantei e vesti a camisa dele. Ele sorriu.
- Como nos velhos tempos! - disse me olhando – Você fica linda com essa camisa.
- Edward… Você tem que ir. O Aidan vai chegar aqui. E eu não quero que ele te veja.
- E a gente, Melina? Como a gente fica?
- Não fica. Edward… Foi maravilhoso. Foi perfeito. Mas eu construí outras coisas. E você também. Não podemos fingir que não existe nada além da gente.
- Eu não estou fingindo. Pra mim não existe nada além da gente. Eu te amo. Eu sempre te amei.
- Eu também, Edward, mas… - ele me interrompeu.
- O que eu preciso te dizer é que aos dezesseis anos eu conheci a mulher mais incrível deste mundo. Pelo menos, do meu mundo. E desde lá eu sempre pensei que tinha muita sorte por achar meu grande amor tão cedo. Nunca tive dúvidas sobre nós, sobre o nosso amor. E eu não quero pensar que eu fui burro o suficiente pra deixar a minha garota dos dezesseis, que virou a minha mulher aos vinte, deixar de ser minha…
- Ed… - o olhei e ele parecia concentrado no que ia dizer já que não tirava aqueles castanhos de cima de mim. As palavras eram lindas, mas eu sentia que precisava me proteger do Edward. Como se minha mente tivesse criado um bloqueio automático.
- Deixa eu te explicar… Tudo. Me ouve? Nem que seja pela última vez. Aí Melina, se você disser que não sente nada por mim. Eu te juro, eu abro essa porta e saio da sua vida.

Respirei fundo e meu coração continuou apertado. Minha garganta estava com um nó gigantesco e não adiantaria nem beber soda pra desfazê-lo. Era um misto de medo com o que tava por vir e saudade. Eu não conseguia nem olhar para o Edward sem quase morrer. Frio na barriga. Saudades. Angustia. Medo. Amor. Não era fácil de explicar o que aconteceu comigo naquele momento. Ao mesmo tempo que queria terminar com aquilo, eu não queria perdê-lo e a mínima ideia disso acontecer me apavorava.

- Tudo bem, Edward. Podemos conversar – disse o olhando e me sentei no sofá.
- Eu, namorei outra garota… A Barbara… Depois que você terminou comigo, eu fiquei perdido e tentei me encontrar com a Barbara.
- Eu vi uma foto de vocês bem próximos… Você sabe, antes de me separar de você.
- Nós nunca tivemos nada enquanto eu estava com você. Eu te juro, mas depois… Você foi tão fria Melina, eu pensei… Foda-se, vou arranjar minha vida aqui. E a Barbara era minha parceira, fomos nos aproximando e quando vi estávamos namorando.
Rolei os olhos.
- Se você quer explicar como você se apaixonou por outra, por favor. Me poupa – levantei e Edward segurou meu braço.
- Não. Pelo contrário, Melina. Eu vim dizer que… Bom, a Barbara era absolutamente perfeita, em qualquer coisa. Mas mesmo estando ali ao meu lado sempre, eu ainda sentia falta de você. De qualquer coisa com você. Você tem ideia, Melina? Eu preferia uma mensagem sua, do que um dia inteiro com a Barbara…
- Se você fosse mesmo feliz comigo você não teria me deixado ir. Eu quis tanto que você me fizesse ficar, Edward. Eu faria qualquer coisa por nós dois. Mas quando eu desisti. Foi pra valer.
- Nós estávamos nos afastando cada dia mais. Eu sabia que tinha que ficar lá por mais um período, eu estava indo tão bem na minha carreira, Melina. Eu cresci muito rápido. Quando você pediu o divórcio, eu fiquei magoado. E triste. E, caralho, eu fiquei triste pra caramba. Mas eu achava que era o melhor pra você. Naquele momento, eu não podia ser o melhor pra você. E ai decidi seguir minha vida, minha mãe me apoiava, meu pai tava orgulhoso de mim. Mas toda vez que eu deitava na minha cama – ele pegou a minha mão e colocou em seu peito – eu sentia um vazio enorme. Eu podia ter tudo. Mas eu sabia, faltava alguma coisa… - limpou a garganta – Não era alguma coisa, era você. Faltava você, a minha menina. Eu nunca seria feliz sem você.
- O que você tá querendo dizer com isso, Edward? - perguntei meio atônita.
- Que eu larguei tudo lá. E vim aqui, pra pelo menos ter uma chance de falar com você. Você sempre foi melhor que eu em tudo, Melina. E eu não sei o que você viu em mim, sinceramente. Tão mais bonita. Tão mais esperta. Tão mais tudo. Mas você me fazia me sentir especial. E dizia que eu era especial pra você. Você me prometeu que ia me dar a honra de ser minha mulher, e naquele dia eu fui o homem mais feliz do mundo. Nós temos tanta história juntos. Eu ainda faço seu coração bater mais forte? - perguntou ajeitando meu cabelo atrás da orelha.
- Faz! - respondi a verdade.
- Eu entendo que você tenha que pensar. Mas eu precisava te dizer essas coisas – e então ele levantou. Tirou uma margarida do bolso e deixou em cima da cabeceira, antes de sair da minha casa. Eu levantei e peguei aquela florzinha murcha. Que era a minha favorita. Como eu pude pensar que o Edward não me conhecia? Ele me conhecia como ninguém. Ele sabia todos os meus detalhes. Sabia minhas manias. Me viu crescer. Foi meu primeiro amor. Como eu deixei a mágoa nos afastar tanto?

Se eu nunca mais tivesse visto o Edward, eu seria feliz com Aidan. Era amor com ele, eu nunca tive dúvidas. Mas aquela coisa que sempre ficava entre nós e eu não sabia o que era, era o Edward. Porque meu amor pelo Edward nunca se apagou. Nunca diminuiu. Nunca saiu de mim. Ele sempre esteve lá. Mesmo quando eu queria com todas as forças que ele não tivesse. Mas eu não podia mandar no meu coração. Que mesmo quando estava maltratado pela distância, batia de saudades do meu primeiro amor. Gostaria de dizer que as coisas ficaram bem. Que eu e o Aidan somos melhores amigos de infância agora. Mas não. Não somos e nunca seremos, justamente, por amor. O amor é capaz de construir coisas incríveis, mas ele usa essa mesma força para destruir.

Aidan me amou profundamente, e demonstrou isso da forma mais bonita. Com carinho, com apoio, com palavras, com presença… Mas o nosso maior problema é que ele amava uma fantasia. Ele podia abrir a porta do meu apartamento com a cópia que eu havia o dado, mas ele morria de medo de abrir a porta do meu coração, mesmo tendo a cópia também. Ele tinha medo de quem encontraria lá. Talvez, se ele tivesse acreditado no meu amor. Nós teríamos sido forte o suficiente para resistir ao tsunami Edward. Mas não foi. Não era pra ser. Existem coisas que, simplesmente, não são pra ser. E não é culpa de ninguém. Embora os culpados sejam sempre apontados um pelo outro no silêncio de seus quartos. O que nos restou foi pouco. Alguns olhares receosos de vez em quando. Em mim, a vontade de contar pra ele o meu dia. E a dor ao saber que ele não vai querer saber. Não mais. Eu sinto falta do Aidan todos os dias. Mas nunca me perdoaria se não desse uma chance para o Edward. E assim vou vivendo. Sabendo que um ciclo precisa acabar para começar outro. E que nunca é tarde para um recomeçar um ciclo.

...Me deito em minha cama e as vezes me pego rindo lembrando de algumas manias tuas. Lembrando das nossas histórias absurdas. E tento anotar mentalmente, não era pra ser. Mas poderia ter sido. Quem disse que o amor que não era pra ser não pode ser grande? Eu sou sua Julieta e você será pra sempre o meu Romeu.
-
Publicado por Melina Matarazzo

Abri a porta da casa de Edward e o peguei de surpresa.
- Você aqui? - perguntou parecendo surpreso.
- Vim responder a sua declaração. Não me interrompe, por favor.
- Como quiser – ele disse me olhando com um sorriso. Ele já sabia. Eu era dele. Sempre fui.
- Edward Schneider, eu nunca havia entendido o porquê das pessoas nascerem querendo ser de alguém. Insisti. Bati o pé. Eu queria ser minha. Pra sempre. E foi assim até te conhecer. Eu boto a culpa nos teus olhos castanhos. Quando os olhei pela primeira vez, eu já tinha perdido um pouquinho de mim para você. E eu perco mais um pouquinho a cada dia, mas eu não me importo, sabe? Porque eu ganho em troca um pouco de você. E, hoje, no dia mais especial da nossa vida, posso dizer que entendo perfeitamente o porquê. Porque o que eu mais quero é ser sua mulher. Eu sempre opto pelo modo mais difícil de aprender as coisas. Veja, as pessoas já nascem sabendo que querem ser de alguém. Eu precisei conhecer você. E eu sou grata por isso. Porque ninguém nunca me entendeu tão bem. Porque ninguém nunca me tratou como se eu fosse simples. E também, Edward, porque eu não tenho outra escolha. Meu coração escolheu ser seu. E eu prometo, que não importa o que aconteça, eu nunca me esquecerei dessa promessa. Eu te amo – li nossos votos da mesma forma que eu os disse no nosso casamento. E ao terminar, olhei para Edward e ele estava emocionado.
- Seus votos? - perguntou sorrindo.
- Acho que eles cabem bem no momento. Sei que não é nosso casamento, mas nunca é tarde pra renovar promessas, né? - disse emocionada também o abraçando.
- Eu prometo nunca mais te abandonar! Nunca - enfatizou. 

IX - O outro alguém

quarta-feira, 8 de julho de 2015 / Nenhum comentário



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“As palavras se perdem quando vou falar dela. Então, não ligue se isso aqui soar sem nexo, ficar enrolado ou não fizer sentido pra você. Nossa história, se é que temos uma, pode ter qualquer coisa, menos sentido...


O maior problema de término de relacionamentos – pelo menos no meu caso, é que é sempre muito difícil seguir em frente. Metade de mim queria estar pronta pra me entregar de cabeça ao Aidan, mas metade de mim estava completamente presa ao passado. Saí com alguns caras, mas evitava o Aidan, porque eu sabia que com ele era diferente. Era diferente de beijar o Ramón ou o Chad… Simplesmente porque era o Aidan e eu não queria admitir que mal tinha acabado de me foder em uma relação e já estava entrando em outra. Nossos encontros eram maravilhosos, todo mundo que me visse com o Aidan diria: vocês foram absolutamente feitos um para o outro. Mas a qualquer sinal de aproximação dele, eu recuava. Eu tentava de tudo e em certos momentos me achava decidida a tentar. Mas era difícil, nós simplesmente não batíamos. Quando eu me sentia preparada e dava alguma investida clara, ele achava que eu ainda pensava no meu ex. Quando ele se sentia pronto, eu acabava deixando o nome de Edward escapar.

Não demorei muito para perceber que Aidan estava na minha. Era só ler a coluna dele. E toda quinta-feira (dia que ele liberava textos) eu corria pegar meu notebook e lia cada letra com o coração na mão. Eu nunca esquecia. Mas quando chegava na frente dele, eu fingia não saber de nada. Eu não sabia o que me acontecia. Mas eu sabia que eu estava pensando demais nele. E que ele me acalmava. E que eu nos imaginava fazendo loucuras. E que ele me deixava maluca. Eu amava até o cheiro do hálito dele. Da pele. Eu amava a adrenalina que sempre ficava entre a gente. E o mais triste era fingir que ele não me afetava em nada. Simplesmente, porque eu achava que ele merecia alguém melhor.

...Também não espere muito do final, vou logo avisando. Não sei nem onde fica o começo, e talvez, apenas talvez, seja porque estou escrevendo essa droga de texto mas a minha mente está lá. Naqueles olhos azuis que me enlouquecem. Naqueles olhos que distraem até o mais firme jogador. Minha mente está lá. Assim como eu queria estar…

Acho que depois de um tempo, ele também concordou que merecia alguém melhor. E é ai que minha linda cunhada, a Cecelia, entra na história. Ela definitivamente era alguém melhor que eu nesse quesito, você sabe, menos complicada. Mas ai eu não tinha certeza se queria que ele arranjasse alguém melhor.

Quando apresentei Aidan e Cecelia eu não imaginei que eles fossem se dar tão bem. Cecelia tinha acabado de se mudar para minha cidade e eu era a única pessoa que ela conhecia. Sempre nos demos bem, fiquei contente em levá-la pra sair conosco. Percebi que logo na primeira noite eles ficaram conversando um tempão. Respirei fundo e decidi fazer o de sempre: fingir que não ligo. Chapei a noite toda e me lembro de acordar ao lado do Ramón. Cobri minha cabeça imediatamente.
- Não vou nem perguntar o que aconteceu – murmurei tentando conter minha raiva.
- Relaxa, gata. Nada do que não tenhamos feito antes – respondeu. E olhei pra ele odiando aquele cabelo de ninho de passarinho dele. Eu, que achava dreads a coisa mais sexy da vida, estava com vontade de arrancar cada um deles com a mão – Quer? - ofereceu um cigarro.
- Ramón, de verdade. Só quero que você caia fora daqui – me levantei me cobrindo com o lençol – Por favor – pedi – Depois a gente conversa.
- Beleza, Melina. Mas o que tá pegando? Ficou caretinha de uma hora pra outra?
- Só não to legal.
- Credo, Melina. Falando assim parece que eu te estuprei. A gente sempre transa, não achei que você fosse acordar assim.
- Aidan… - revirei os olhos – Ramón… - me corrigi – Eu só estou a fim de ficar de boa na minha casa. Relaxa!
- Entendi. É o poetinha, né? - perguntou me fitando.
- Que mané poetinha. Anda… Anda – coloquei Ramón para fora da minha casa.

E finalmente, cai na minha cama. Me sentindo péssima. O que eu tava fazendo? O que eu estava fazendo da minha vida? Eu costumava ser aquela que ria de perder o folego. Aquela que incentivava todos a correrem atrás do seus amores. Eu costumava ser aquela que prezava as coisas reais. E agora, tudo que eu sabia fazer era me drogar e afastar tudo que fosse me dar vida. E aquela garota que eu já fui? Eu percebi que eu sentia a minha falta. E isso não era sobre alguém, era sobre mim. Era sobre me sentir perdida dentro de mim mesma. Eu não sabia o quão longe eu estava de mim. E não sabia se alguém sacava isso, pois eu estava disfarçando tão bem. Sendo o centro de tudo. Sendo a maluca que topa tudo. Tentando fazer o que era falso mais real.

...Ligo pela terceira vez e ninguém atende. Já vi tudo. História que se repete sempre. Ciclo vicioso. Que vá se foder quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. É a terceira vez que cai aqui só essa semana. Desisto de ligar e me jogo na cama. Fico pensando na imensidão de coisas que perco depositando tanto tempo nela. E aí vejo o infinito vezes dois de coisas que ela me faz e me deixam bem, sem que ela nem perceba. Pronto. No jogo na minha cabeça, o bem que ela me faz, compensa tudo. Ela 1 x Eu 0…

“Chegou bem em casa?” - perguntou Aidan e percebi que tinha algumas chamadas perdidas.
“Ótima, e você cuidou bem da Cecelia?” - eu tinha prometido que não ia enviar isso, até que magicamente aperto o botão enviar.
“Levei ela pra casa. Ela é bem legal”
Foda-se – pensei. Nojento. Asqueroso. Filho de uma égua.
“Ela é mesmo <3” - foi o que eu respondi.

...E é aí que está o problema. Ela me ganha. Ela me ganha em tudo. Ela me ganha mesmo quando faz de tudo pra me perder. Me ganha mesmo quando eu faço de tudo para ganhá-la. E cá entre nós, sabemos que nesse jogo só pode existir um vencedor. Ela retorna a ligação. Eu desligo. Ignoro. 3 dias. Não vou dar o braço a torcer. Não dessa vez. Ela que fale com o motivo que a impediu de me atender nos últimos dias…

Eu percebi em meio aos meus ataques de ciúmes silenciosos que eu estava apaixonada pelo Aidan. E quando, finalmente, nos beijamos pela primeira vez, eu tive certeza. Eu estava apaixonada pelo Aidan. Eu tinha bebido um pouco no dia. Mas nem precisava disso pra me sentir a vontade com ele.
- Você é tão babaca comigo as vezes – murmurei sentindo a respiração de Aidan colada na minha.
- Eu? Você que se afasta o tempo todo – ele sussurrou no meu ouvido e em seguida encostou os lábios em meu pescoço fazendo um carinho que me fez ficar toda arrepiada.
- Eu não me afasto. Eu só tava deixando seu caminho livre… Pra alguém melhor
- Quem disse que eu quero alguém melhor? - perguntou me encarando com aqueles olhos azuis. E eu não só tinha vontade de mergulhar, como de me afogar neles.
- Então você é super babaca – constatei rindo.
- É mesmo? - colocou a mão em minha nuca me pegando pelo cabelo e colou os lábios nos meus iniciando um beijo inicialmente lento, mas que foi ganhando mais intensidade, não sei se era por ser tão esperado, mas aquele beijo tinha um enorme gostinho de “não-quero-que-acabe”, nossas línguas brincando uma com a outra, nossa respiração descompassada, aquele gosto de puro prazer – Eu não me sinto tão babaca assim agora – finalizou piscando pra mim, antes de voltar a me beijar. E eu me sentia no céu. Como eu não me sentia há muito tempo. E o melhor. Era real. Era tão diferente de todas as coisas falsas que eu havia me dedicado. Era simplesmente, verdadeiro.

Aidan e eu. Éramos quase um casal. Mas sem pedidos oficiais, nem nada. O problema era nossas brigas idiotas sempre pelo mesmo motivo. Insegurança. Pra acabar com aquilo tudo. Tentei provar ao Aidan que eu o amava. Do jeito que ele era. Foda-se se eu já tinha dito que o Edward era o amor da minha vida um milhão de vezes. Eu não sabia que eu poderia achar outro amor da minha vida, ué! Eu sempre fui burra demais. E eu estava com Aidan, quando decidi escrever aquela maldita carta de aniversário pro Edward. E ele leu. Ele simplesmente, pegou meu celular e leu. É claro que ele não disse nada pra mim, mas eu sabia que tinha algo errado quando ele foi se afastando cada vez mais de mim e nosso quase relacionamento foi por água abaixo. Eu tinha um dom de fazer burradas. Como eu não sabia, enviei uma declaração para o Aidan e estranhei muito quando ele respondeu “Seu jeito de amar é esquisito, eu não sei amar por dois”. Fiquei morrendo de ódio dele.

E aos poucos ele e Cecelia foram se aproximando cada vez mais. E ele cada vez mais distante de mim. E eu sempre fingindo não ligar. E funcionava, todos pareciam acreditar. Menos a Rachel, mas a Rachel, não conta, a Rachel é a Rachel. E eu tava de boa, com isso. Continuei levando a minha vida normalmente. Mas eu pareço ter um dom para problemas. E então, num mágico dia, Cecelia bebeu um pouco e enquanto estávamos numa rodinha jogando conversa fora, ela virou e soltou:
- Eu to chateada porque notei o clima ruim entre a Melina e o Aidan. E então de uma hora pra outra ele ficou ainda mais carinhoso e... Sei la. É como se eu tivesse no meio de vocês. Pode parecer bobeira mas eu me sinto uma intrusa… - ela disse me encarando especificamente. E eu juro, naquele momento eu quis ser invisível. Como assim alguém tinha coragem de levantar o assunto? O que eu tanto tentei evitar sendo jogado ao ar, bem ali na minha cara. Como um tapa. O pior, pela minha cunhada. Ex cunhada. Que seja. Eu tive que olhar pro Aidan e dessa vez era sem aquela fantasia de “somos amiguinhos”.
- Cecelia não viaja. Você não é intrusa em nada – se adiantou Aidan. E fiquei com medinho do que ele fosse falar. Quase me engasguei com a vodka e então, finalmente criei coragem e disse:
- Você não é intrusa nada. Porque eu e o Aidan nunca tivemos nada – finalizei da maneira mais fria que eu conseguia. Me machucava estar naquela situação, eu gostava do Aidan. Era difícil fingir que não. Era chato o clima estranho entre a gente. Era insuportável. E essa era minha maneira de lidar com a situação. Mas como eu ia saber que ele tinha lido aquele texto? Só soube um tempo depois, quando Jesse disse que a Cecelia havia dito pra ele, que Aidan planejava me pedir em namoro naquele 6 de maio. Que ele estava preparando uma surpresa. Eu não sabia. E quase morri quando soube. Pra mim ele só havia enjoado de mim e partido pra outra. – E se vocês querem, saber… Torço pro casal – acrescentei e dei um sorriso. Que eu achava que era o melhor do mundo e bebo mais um gole da minha vodka.
- Sabe qual é o problema? É que todo mundo aqui fica guardando sentimento pra não se machucar. Pra não machucar o outro. E no final, todo mundo se fode – disse Rachel tentando solucionar o problema. Quando você tem um grupo de amigos, você tem que se acostumar com um se metendo na vida do outro. O problema era que eu estava acostumada a me meter na vida de todos. Só nunca tinha permitido que eles tentassem me ajudar. Eu sempre me achei muito autossuficiente. Que bobagem. Se bobear, eu era uma das que mais precisava de todos eles.
- O que acontece é o seguinte. Já que é pra colocar as cartas na mesa... Eu sei que você tava com medo de que eu estivesse te usando pra “tentar” atingir a Melina, mas pelo amor de Deus... Eu seria incapaz de fazer isso. Primeiro, obviamente, por você e segundo, que Deus do céu, onde, eu, Aidan, iria querer atingir a Melina?
Revirei os olhos. E respirei fundo enquanto ouvia pessoas dizerem pra Cecelia que o Aidan nunca a usaria. E continuei tentando me manter neutra naquela situação toda.
- A Melina tá com ciume do Aidan e tá tentando disfarçar – ouvi minha cunhada dizer. E me perguntei mentalmente quando ela havia ficado tão irritante.
- Aidan é um trouxa porque gamou numa mina que é rápida demais pro raciocínio dele e tá magoadinho. E Melina é mais trouxa ainda porque gamou num trouxa – obvio que foi Rachel que disse isso.
- Eu não estou com ciúme. Eu estou com ódio – disse tentando ser calma – Porque você, Aidan, do nada decidiu me dar um gelo. E fica sendo grosso, ou mandando indiretas, ou escrevendo coisas que me magoam… Cara, eu sinceramente…
- Eu escrevo e você faz coisas que me magoam – ele, finalmente, finalmente me olhou nos olhos. Não era um olhar nada legal, já que nós estávamos nos estranhando faz tempo. Só nunca tínhamos parado pra falar sobre isso.
- Eu “respirar” te magoa – o fuzilei com o olhar.
- Não, o fato de você respirar não me magoa tanto – destilou ironia – O que me magoa é o fato de um dia você falar que me ama e no outro se declarar pro seu maridinho – bufou.
- Eu dizia que te amava e você dizia não poder amar por dois. Aidan o problema é que você nunca acreditou no meu amor.
- Porque eu sabia que você sentia alguma coisa pelo Edward – gritou.
Trocamos um milhão de acusações. Foi uma guerra feia. Os outros se tornaram figurantes do barraco em que testemunhavam. Eu não estava nem ai, só não podia deixar ele ficar pensando que eu era uma megera.
- O que eu fiz pra você? Sinceramente… Eu sempre fui honesta com você. Eu sempre quis o melhor pra você.
- O que você fez? Cara… Eu te esperei por tanto tempo. E você nunca me perguntou o que eu achava que era melhor pra mim, e eu achava que era você Melina. Era você. Se você tivesse me perguntado ia saber.
- Eu nunca te pedi pra esperar tempo nenhum – devolvi. Eu já estava nervosa com aquela confusão toda.
- Mas eu quis esperar. Porque eu amo você – disse olhando nos meus olhos – Eu só não queria te amar e sentir que seu amor é amor de gratidão de amigo, parceiro. Queria que me amasse por inteiro, como eu amo você.
- Você tem uma mania de achar que sabe tudo que eu penso. Se você acha que eu te amo como irmãozinho. Beleza, você se afastou tanto que isso não faz mais diferença.
- Ah... Melina… - explodiu dando um soco na mesa. Ninguém tentava acalmar nossos ânimos, era como se todos ali fossem reduzidos a nada – Pelo amor de Deus, você é burra? - disse num tom alterado
- Não grita comigo – gritei e bati na mesa de volta.
- Desculpa! - pediu – Eu sou mesmo inseguro. Idiota. Babaca e lerdo. Mas é só com você. Cara, me desculpa. Mas não sei como agir, porque você não é como o resto. Eu nunca senti nada parecido por ninguém – ele desabafou e suspirou parecendo ansioso pela minha resposta.
Não disse nada. Apenas me aproximei e respondi com meu beijo. Respondi o deixando sem folego pra ver se provava de uma vez por toda que eu o amava. Que eu o amava pra caralho. Mas o amor nem sempre é forte o bastante pra lutar com a insegurança. O amor as vezes também não é forte o bastante pra lutar com o passado. E as vezes o passado volta atropelando tudo como um tsunami, levando qualquer coisa que estava de pé.

… Mensagem dela. Me xingando. Chove a palavra "covarde" 500 vezes. Típico. E nem a culpo. Porque Melina, que cara não baixa a guarda quando está diante de alguém assim? Que cara não se sente perdido quando sabe que essa... Cara, essa não é mais uma. Difícil quando se sabe que não é você que tá no controle da situação. Não dessa vez. Não quando se trata dela. Bom, aí eu recuo e ela me xinga. E me puxa de volta. E eu vou. E suplico que dessa vez as coisas corram bem. Mas é claro que não correm. Na verdade, parece que Deus e o mundo não só correm, como sopram contra nós…
Publicado por Aidan Eaton”


VIII - O divórcio

terça-feira, 7 de julho de 2015 / Um comentário


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Ciúmes. Uma coisa que eu odeio sentir. E se as coisas já não iam muito bem com a distância, imagina com o ciúmes dando uma leve ajudinha pra foder com tudo de vez? Então… Foi mais ou menos isso.

- Bonita essa amiga do Edward, não acha? - Rachel perguntou deitada na minha cama enquanto comia brigadeiro de panela.
- Que amiga? - dei um salto do sofá onde eu fazia minha unha do pé.
- Essa aqui – ela virou o celular para mim e eu vi de longe uma foto, me aproximei e vi Edward ao lado do pessoal do escritório. Esse não seria o problema, o problema foi que ele estava com a mão na cintura de uma… Quenga. Tomei o celular da mão de Rachel, que protestou, mas continuou comendo seu brigadeiro. Vi a marcação na foto e o nome dela era Barbara. Quis morrer quando cliquei na foto do perfil dela e constatei que ela era bonitinha… Tudo bem, ela era linda. Foda-se. O que o meu marido estava fazendo segurando na cintura dela? Foi só pra tirar foto - pensei, tentando me acalmar.
- Pilhou? - perguntou Rachel.
- Não – disse tentando dar um sorriso, mas pela cara da Rachel não atingi meu objetivo.
- Não, imagina… - encheu a boca de brigadeiro – Mas eu te entendo… Sabe, se tem uma pessoa que te entende sou eu. Há semanas que o Klebber vem curtindo fotos de várias biscates, e ele acha que tudo bem… - rola os olhos – Eu quero que ele se foda.
- Rachel… Já disse você tem que parar de brigar por esses motivos idiotas – joguei uma almofada na cabeça dela e peguei meu celular.
- Você acha idiota? Ele curtiu a foto de uma menina quase pelada aqui… - ela continuou reclamando sem parar. Tudo que ela sabia fazer era meter o pau no Klebber. E eu sei bem o porquê, ela não queria admitir que tinha motivos para gostar dele. Desde o fatídico relacionamento relâmpago com Will, ela havia ficado assim. Procurava mil e um motivos para se afastar de alguém, mas no fundo, bem no fundinho, eu acho que ela só queria que a pessoa insistisse mais um pouquinho. Mais um poucão, porque ela odeia diminuitivos.
“Que gata sua amiga. Morena. Olhos verdes. Parabéns” - digitei e apertei enviar olhando para aquela foto ridícula de Edward. Que olhando assim, não era tão ridícula, os olhos dele tão cativantes, aquela cara de cara sério, os óculos… Aff. Ridículo.
“Não começa” - foi exatamente o que ele me respondeu. Quase explodi o celular na parede. Mas Rachel, me ajudou arrancando o aparelho da minha mão.
- Calma! Em vez de surtar. Se arruma e vai curtir uma balada. Você já passou uma vida inteira dentro de casa esperando mensagem de Edward. Chega, né?
- Quer saber? Eu vou – dei de ombros – Me ajuda a escolher uma roupa.
Rachel me ajudou e fiquei bem exagerada no final de todo o processo, afinal, Rachel era uma perua. Mas eu até que gostei, fazia tempo que eu não exagerava na roupa.
- Vou ligar pro Aidan ir com a gente, ok? - perguntou Rachel.
- Liga! Vocês dois estão bem próximos, né? - perguntei enquanto enchia meus cilios de rimel.
- Acho o cara bacana. Ele parece entender todo mundo… Sabe, com aquele jeitão de poeta e tals. Mas relaxa, não faz meu tipo… A gente só é parceiro pra beber e já era – afirmou parecendo querer me dar explicações. Eu só não entendia o porquê. Mas eu parecia querer aquelas explicações.
- Tudo bem! - dou de ombros – Ele é um cara bacana… Mas não faz seu tipo mesmo – ri – ele não tem nenhum talento pra cafa!
- Pois é! Tenho certeza que ele não fica curtindo foto de biscate nas redes sociais – Rachel acendeu um cigarro – Vamos?
- Vamos!
Chegamos na rua mais badalada da cidade. Pipocavam baladas, puteiros, e bares em todo lugar. Escolhemos uma balada suave que tocava um rock light e alternava pro indie de vez em quando.
- Você tá linda – Aidan sussurrou em meu ouvido por causa da música alta.
- Obrigada – agradeci – Você também, tá bem elegante – ri passando a mão nos braços dele.
- Elegante, né? - ele riu e pediu uma bebida pra nós.
- Cansei… - disse dando de ombros.
- Hm… - ele me puxou pelo braço e sentamos num sofázinho mais afastado da pista – Aqui fica melhor pra gente conversar.
- Ok. Mas e a Rach… - olhei para o lado e vi a Rachel fazendo a maior social com o barman. Ela parecia adorar o tipo.
- Ela vai ficar bem… - ele olhou rindo – Ela é maluca, gosto de conversar com ela. Rende bons textos. Nunca vi uma mina mais confusa.
- É ela é a mais pura confusão – ri e o olhei.
- Então… Você cansou do que? - perguntou me olhando atentamente.
- De esperar o Edward. Sabe? Eu não me importo se ele tá na puta que pariu… Mas poxa, sabe quando parece que só você se esforça na relação?
- Desde que a gente se conhece te vejo assim. Sabe o que eu acho?
- Hm? - perguntei curiosa.
- Que você idealizou ele e não aceita viver sem aquele cara que ele costumava ser… Sei lá… Na sua adolescência.
- Sei lá. Hoje vi uma foto dele com uma mulher lá. Tipo… Eles não estavam sozinhos, mas ele tava segurando na cintura dela. E sei que não é muita coisa. Mas cara… Me deu um ódio, e ele não faz questão de se explicar direito. Nos falamos pouco pra caralho. Antes a gente se falava o tempo todo, mas acho que de uns tempos pra cá ele não faz muita questão. Não sei se é paranóia da minha cabeça já que ele vive repetindo que me ama e que tá com saudade, mas são só palavras. Eu queria sentir isso.
Aidan apoiou minha cabeça em seu ombro e fez carinho em meu braço.
- Calma. Vai ficar tudo bem… - beijou o topo da minha cabeça.
E nos braços dele parecia mesmo que ia ficar tudo bem. Essa foi a primeira vez que tive uma vontade enorme de beijar o Aidan. De beijar qualquer outro alguém que não fosse o Edward. Foi a primeira vez que me senti bem nos braços de outra pessoa. A primeira vez que o perfume de outro me fazia sentir um calafrio na barriga. Bebemos a noite toda. Eu fiquei tão bêbada que não sabia nem como tinha parado em casa no outro dia. Rachel me explicou que Aidan me ajudou, enquanto eu dava um pt enorme. Que vergonha… Ele não deveria querer olhar nunca mais na minha cara. Mas me lembro de ler uma mensagem dele quando acordei.
“Espero que esteja melhorzinha. Me senti no filme exorcista com tanto vômito e seus olhos ficam ainda mais claros quando você passa mal, o que foi realmente assustador… Mas eu te perdoo se você estiver melhor”
Eu ri. Diz o ditado que se um cara cuida de você em um pt. É porque ele vale a pena.
“Eu te amo. Obrigada” - foi o que eu consegui responder enquanto minha cabeça explodia.

- São só dois anos… Não chora, por favor – pediu Edward.
- Eu não sei viver sem você – disse olhando nos olhos dele. Ele acariciou meus braços por alguns segundos em silêncio.
- Eu também não – murmurou.

"

Não imaginava que aqueles dois anos iriam aumentar. Não imaginava que ia conseguir viver sem Edward, mas aparentemente eu estava conseguindo. Não vou dizer que era a mesma coisa. Eu não era mais a mesma. Qualquer pessoa que me olhasse com mais atenção veria o estrago que ele havia feito em mim. Quando decidi me divertir depois de meses em depressão, fiz isso com maestria. Eu, Rachel, Aidan, Jesse e Klebber havíamos nos tornado inseparáveis. Éramos com certeza os mais conhecidos em organizar rolês em toda cidade. As festas que nós organizávamos lotavam tanto a ponto de termos que começar a fazer lista de presença. E até estávamos ganhando um dinheiro com isso. Não era algo como se fosse um trabalho, era tipo um hobby. Éramos os top cinco.

Rachel: dona das melhores idéias. Ela sempre tinha alguma idéia para alguma festa nova e era uma anfitriã como ninguém. Nenhuma festa que Rachel participava era entediante. Ela sempre dava um jeito de entreter todo mundo.
Aidan: era o melhor em negociar preços e os locais para darmos nossas festinhas. Ele sempre conseguia algum desconto e as pessoas pareciam confiar totalmente nele. O que era muito fácil, pois o Aidan tinha um sorriso e um olhar de anjo. Até mesmo eu acreditaria em qualquer coisa que ele dissesse, se ele dissesse que o céu era preto e que eu era daltônica, eu juro que acreditaria.
Klebber: Barman. Fazia os melhores drinks e era namorado da Rachel – mesmo que ela não admitisse, e por isso era chamado pra tudo.
Jesse: Mesmo sendo pai conseguia escapar da sua rotina para ser presente em todas as nossas festas. Jesse nunca deixaria de ser um playboy. Isso era um fato.
E eu. Eu tinha uns contatos e sempre conseguia coisas pra dar um levante na galera. Eu me sentia bem trabalhando na revista e aos finais de semana me ocupando com isso. Não parava por um segundo. Todo mundo me conhecia como a garota maluquinha que tá sempre em alguma festa. Ninguém se aproximava muito. Eu havia me fechado bastante. E sabia que isso cansava as pessoas. Mas, afinal, acho que não era só a Rachel que precisava que alguém insistisse mais um pouco. Eu também precisava. Só não queria admitir. Eu sempre achei que eu e a Rachel fossemos tão diferentes, mas eu olhava agora e não via quase nenhuma diferença. 

“Você tá esquisita. Tá tudo bem?” - Edward parecia finalmente ter notado minha distancia.
“Ando ocupada.” - respondi.
“Só isso?”
“Eu quero o divórcio”
“Melina… Que isso? Ta louca? Você tem certeza? Eu vou te ligar pra gente conversar”
“Não precisa. Acabei de publicar no site da revista que eu trabalho uma crônica. Se você quiser ler”
“Você vai terminar comigo por uma crônica?”
“Você já terminou comigo faz tempo. E nem uma crônica você me deu de satisfação.”
Eu sabia que minhas palavras iam magoá-lo. Mas eu estava magoada. Costumo demorar para tomar decisões, mas quando crio coragem para tomar, eu simplesmente vou e faço. Eu me sentia mais sozinha com o Edward do que se eu estivesse separada. E naquele momento era o certo a fazer.

Lembra do nosso primeiro beijo? Eu lembro. Foi um beijo roubado, e é claro que fui eu que roubei. Se eu não tivesse feito isso não seria eu. Naquele momento eu ainda não sabia que iria me apaixonar louca e perdidamente por você. Mal sabia eu o infinito de emoções que me esperavam. Quando você me deu o nosso segundo beijo, eu pude testar a velocidade que meu coração podia bater sem que eu tivesse tendo um infarto. Como pode? Um simples beijo, não ter nada de simples. Você não me disse, mas eu sabia que você se apaixonaria por mim. Eu sempre fui determinada, mas mesmo naquele beijo você já mostrava a guarda baixa. E eu ataquei. Nós explodimos em paixão. Eu te disse um milhão de vezes que o que eu sentia por você era como aquela música do John Legend "tudo em mim, ama tudo em você", e foi exatamente assim que eu me senti com você durante o nosso infinito. Você me tirou do eixo, desviou todo meu caminho e me fez andar pelo seu. E eu nunca quis fazer diferente, porque caminhar com você, de mãos dadas, juntos, me parecia a coisa mais certa do mundo. Cada partícula de mim amava você. Me dói falar no passado, porque se você aparecer na minha frente agora, e me disser que me ama, eu não vou te dizer que te amava e sim que te amo. Porque eu te amo. Eu te amo mais do que qualquer caralho nesse mundo todo. E é por isso que eu tenho que ir embora, porque eu não quero destruir o nosso amor no meu peito. Não quero que essa distancia me faça amarga, não quero amargura no nosso amor. E mesmo que pareça egoísta agora, eu coloco a culpa em você que me mostrou a força do amor. Agora eu não posso viver sem isso. Não posso viver presa a você. Amor, eu sei que se você pudesse as coisas seriam diferentes. Você não estranharia tanto os meus amigos. As minhas bagunças. Você não deixaria as nossas diferenças matar nós dois. Mas se eu olhar nas minhas costas, em um espelho qualquer, eu vou ver a minha tatuagem da gaiola aberta em sinal de liberdade. Você não gostou dela lembra? E eu menti dizendo que ela não significava nada. Mas significava. Sempre significou. Eu nasci pra ser livre. E mais, nasci pra ser amada. Pode soar patético, mas eu preciso de alguém pra caminhar comigo nas estradas da vida, preciso que alguém me diga "Você consegue" quando surgir algo difícil. E é estranho até pra mim que minha liberdade esteja ligada a alguém, mas está. O amor não prende, pelo contrário o amor liberta. E foi o que você fez comigo por muito tempo, me libertou das bobagens que eu achava, me libertou da minha falsa sabedoria. Eu achava que sabia tudo do mundo. E não sabia o mais importante, eu não sabia o que era amor. Tenho que te agradecer por ter me mostrado. Obrigada! Eu não queria que você pensasse que estou te deixando por falta de amor. Porque amor por você é o que mais tem dentro de mim. Meu amor não me permite deixar de te amar. Meu amor deseja que você seja feliz. Meu amor sempre foi seu. Mas todo amor precisa ser cultivado. Você foi meu primeiro amor, o que eu gostaria com todas as forças do mundo que fosse o ultimo. E vai ser sempre aquele que mais me doeu deixar. Por mais que doa, eu sempre deixo. Talvez se você tivesse precisado de mim, como eu precisei de você, você seria a minha excessão. Mas não foi dessa vez. E eu repito, meu amor, não foi por falta de amor.
- publicado por Melina Matarazzo.”
E foi assim que nos divorciamos. Cada um totalmente magoado com o outro. Eu ainda acho que é impossivel se divorciar amigavelmente. Pra mim esse papo é furado. O que leva duas pessoas que se amaram em um certo momento a se separar? A resposta é: um milhão de mágoas. E mágoa não é uma coisa que combina com “amigávelmente”.
Me arrumei impecávelmente e respirei fundo ao olhar no espelho. Eu tinha um encontro marcado e dessa vez não era em nenhum aeroporto. E pode se dizer que não era nem um encontro, já que nossos amigos também estariam juntos. Mas eu estava decidida.
“Tá pronta? To chegando!” - Aidan.

VII - O casamento

sábado, 4 de julho de 2015 / Nenhum comentário



Acho que uma das piores coisas de terminar um relacionamento definitivamente é quando tem divórcio. Todos os sonhos que você carregou no peito por tanto tempo com aquela pessoa de repente são perdidos no tempo. E você quer voltar no tempo e voltar para quando o abraço dela te fazia sentir seguro. Você quer voltar para o primeiro beijo. Você quer reviver tudo de novo e quem sabe dar um jeito de arrumar tudo. Mas sabe que por um motivo não está tudo bem. Foi o pior momento da minha vida. E ainda foi um divórcio a distância, daqueles que o advogado resolve tudo e você não precisa nem comparecer ao ato da assinatura do divórcio. Não pude nem olhar nos olhos dele, pra ele tentar me convencer de que eu estava errada. De que nós éramos sim, perfeitos um para o outro.

Quando Edward conseguiu o estágio e em seguida o trabalho em Londres, eu nunca pensei que o tempo fosse passar tão devagar. Nós nos víamos sempre em datas especias, como natal, o aniversário dele, se desse o meu, mas era tão pouco. Eu sempre chorava horrores quando ele ia embora, nunca na frente dele. Mas quando saia do aeroporto e entrava em meu carro, passava uns cinco minutos chorando copiosamente, e nunca aliviava.

Eu estava esperando o Edward há três horas, o voo havia atrasado. Já faziam três anos que ele estava fora. Mas eu sentia como se fosse trinta anos. Eu estava agoniada, não tinha mais unhas para contar histórias. Mas quando ele surgiu. Eu podia jurar que não estava vendo mais nada, eu só via aquele sorriso. Meu coração imediatamente respondeu, querendo saltar pela boca. Levantei do banquinho e tentei não correr em direção a ele, foi difícil, mas quase consegui. Quase, pois andei tão rápido que quase tropecei em minhas próprias pernas. Quando, finalmente, cheguei perto dele. Nos abraçamos tão forte que por um segundo achei que ia perder a respiração.

- Como você está linda – ele sussurrou segurando meu rosto, esfregando o nariz lentamente nele. Como se ele quisesse decorar novamente os traços do meu rosto. Sorri. Ele cobriu meu sorriso com seus lábios quentes, famintos e que pareciam estar morrendo de saudades dos meus. Só existia nós dois naquele aeroporto. E eu, por um momento, esquecia completamente o quão difícil era ficar sem ele. O quanto a distancia estava matando a gente. Eu esquecia tudo, pois era só olhar pra ele que nada parecia errado com a gente.
- Você demorou – murmurei segurando o choro – achei que eu fosse morrer de saudades.
Ele colocou uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha e beijou minha bochecha com carinho.
- Quando foi que você ficou tão dengosa, linda? - perguntou com um sorrisinho – lindo – no rosto. Mas eu via que ele estava emocionado também.
- Desde que você foi pra longe de mim – deitei no peito dele e meu peito parecia ter algum conforto quando senti o perfume dele. O mesmo de sempre. Edward era tão metódico. Era mesmo ele, o meu amor.
Ele pegou em minha mão e caminhamos juntos em direção ao carro.
- Melina eu já te disse, meu maior sonho é levar você comigo. Nós podemos ter uma vida lá, eu sei que você tem seu trabalho, mas a gente poderia dar um jeito de você escrever lá – tentou me convencer assim que entramos no carro.
- Edward, você não sabe quantas vezes eu cogitei essa hipótese. Mais de um milhão, tenha certeza. Só que não é fácil, eu tenho uma vida aqui. Eu preciso de pessoas, eu preciso dos meus amigos, eu necessito do meu trabalho. Você mal tem tempo pra falar comigo de lá, eu ia me sentir um nada se não tivesse o que fazer.
- Melina, mas a gente ia estar junto. Lembra? Nós juntos somos invencíveis – disse olhando em meus olhos e segurando em minha coxa. Quando ele falava assim, eu quase desistia de tudo e ia com ele para onde ele quisesse. Mas eu também tinha minha vida, e Edward tinha que entender isso.
- Edward… - o repreendi – Você sabe o quão difícil é pra mim, você sabe, ficar longe de você é uma droga. Mas a gente já falou sobre isso… - minha voz saiu falhada, e eu tinha certeza que havia acabado de falhar no meu plano de não chorar na frente dele.
- Hey! - ele chamou minha atenção – Tudo bem, vai ficar tudo bem – suspirou. E eu senti que ele queria mesmo acreditar no que estava dizendo – Vamos aproveitar essa semana, como nós fazíamos antes. Vamos ver seus filmes chatos. E eu, finalmente, vou te ensinar a jogar xadrez e dessa vez não vou permitir que você não aprenda. Vamos ir naqueles lugares bonitos que nós sempre quisemos ir. E ai quando eu for embora de novo, nós vamos ter muitas lembranças para ficar forte até a próxima vez – ele deixou uma lágrima escapar, mas logo a secou. Edward odiava demonstrar sentimentos na frente dos outros. Uma das poucas vezes que o vi chorar, foi quando uma prima dele falecera. E foi horrível vê-lo chorar, e se abraçar a mim como se eu a qualquer momento fosse sumir.
- Só isso? - perguntei com um sorriso malicioso no rosto para descontrair o clima.
- Hm – ele sorriu também – você tem alguma sugestão Melina Maravilhosa?
- Só uma. Fazer amor todos os dias – mordi o lábio.
- Só isso? - ele imitou minha voz com um sorriso safado no rosto – Todos os dias ainda é pouco pra saudade que eu estou de você – nem preciso dizer que ele me arrepiou até a alma. Ele me enlouquecia como ninguém. E eu morria de saudades dele. E posso dizer que cumprimos todo o combinado. Cada detalhe.

Quando Jesse chegou devastado em minha casa senti meu coração apertar, eu o conhecia tão bem, que eu sabia que era algo grave.
- Melina, eu vou me separar – disse com lágrimas nos olhos.
- Como assim? - perguntei assustada. Jesse era casado, e parecia muito bem casado com a Aurora, eu achava que eles eram feitos um pro outro. Eles tinham uma família linda. E vê-lo ali devastado me doía a alma.
- Ela está tendo um caso com outro – soltou de uma vez. Até se afundar no meu sofá.
- Jesse… Não é mais um de seus surtos? - perguntei – Você sabe… Você imagina coisas as vezes, você é muito ciumento.
- Melina, eu tenho certeza. Eu já sai de casa… Me ajuda! A Madison me ofereceu a casa dela, mas sei lá, não quero dar problema com aquele otário do namorado dela. Também não quero ir para casa da minha mãe, ela vai ficar me enchendo o saco.
- Claro, você pode ficar aqui – sentei no sofá com ele e o abracei. Ele deitou no meu colo e desabafou. Ficamos conversando a madrugada toda.

E aquele dia além de ficar triste pelo meu melhor amigo. Eu fiquei triste por todas as histórias de amor que não resistem o tempo. Aquele dia foi o que eu tive mais medo de perder o Edward. Eu achava que não aguentaria, mesmo longe, eu sabia que o tinha. Eu só tinha medo do nosso amor não ser suficiente. O amor é o mais forte de todos os sentimentos, mas as vezes ele não consegue ser suficiente. Um tempo depois ajudei Jesse a escolher uma aliança de noivado, o amor as vezes é esquisito. E a vida sempre dá um jeito de nos surpreender.

Quando penso em finais, sempre volto pro começo. O dia do meu casamento. O dia mais importante da minha vida. Eu estava rodeada das pessoas que eu amava, da minha família, de amigos do Edward e seus familiares. Eu não sabia o porquê, mas a família de Edward me detestava. Exceto pela a irmã dele, Cecelia, já que Stella e Melanie – suas outras duas irmãs – pareciam ser totalmente contrária a ideia do irmãozinho querido delas casar comigo. Mas no dia do nosso casamento, tudo parecia diferente. Elas pareciam estar felizes pela gente. E é por isso que desde o meu casamento eu amo celebrações desse tipo, porque sempre o amor vence qualquer sentimento.
- Você está linda – disse Cecelia – Meu irmão vai pirar.
- Obrigada – sorri – Eu to um pouco, um pouquinho, quase nada, nervosa.
Ela veio por trás de mim e ajeitou meu cabelo.
- Vocês dois foram feitos um para o outro. Todo mundo percebe, Melina. Até mamãe já aceitou. Quando vocês estão juntos vocês são o melhor um para o outro. E eu nunca vi o chato do Edward dar um sorriso tão bonito como ele dá quando tá com você – ela sorriu e apertou meus ombros iniciando uma massagem – Não tem motivos para estar nervosa. Vai ser o dia mais lindo da sua vida – eu adorava Cecelia, ela transmitia uma calma e sempre tinha palavras bonitas para dizer. Eu amava minha cunhada, e ela sempre me apoiava como uma irmã. Naquele momento eu não poderia ter ouvido palavras melhores. E ela tinha total razão, foi com certeza um dos melhores dias da minha vida.
- Melina Matarazzo – Edward pegou em minhas mãos trêmulas e olhou em meus olhos – Aquele trato idiota foi a melhor coisa que me aconteceu. Porque me trouxe até você. E fico grato por isso Melina, fico grato. Você precisa me dar esta honra, precisa me prometer que vai ser minha mulher para sempre, e que não vamos desistir não importa o que aconteça, por mais desesperador que o caminho possa parecer. Prometa isso agora, Melina. Porque eu prometo – ele disse cada palavra perfeitamente antes dos olhos dele encherem de água - e essa foi a outra vez que vi Edward chorar. Eu quase morri de emoção, ele estava fazendo uma citação do meu filme favorito nos meus votos. Foi tão lindo, tão nosso, tão perfeito. E eu sabia que era exatamente isso que eu queria para mim, passar a vida toda ao lado do Edward. Cumprir cada detalhe do combinado. Mas a vida adora mesmo as reviravoltas.

VI - Pra esquecer que sinto sua falta

quinta-feira, 2 de julho de 2015 / Nenhum comentário



Há um tempo atrás, eu recebi uma promoção, meu Deus, eu tinha sonhado tanto com aquela coluna que era quase impossível acreditar que ela finalmente estava em minhas mãos. Eu era colunista de relacionamentos amorosos da revista Teen mais vendida no país. Sim, não era nenhuma Marie Claire, mas foi bem difícil chegar até ali.

As pessoas que mais se importam com você sempre vão estar ao seu lado quando você conseguir uma grande conquista. Assim que contei pra Rachel, ela me ligou, ela não gosta muito de ligações, mas me ligou e gritou comigo por quase uns cinco minutos. Eu estava eufórica e dizia coisas completamente sem sentido, e ela estava comigo lá sendo louca junto. Jesse teve a delicadeza de mandar uma mensagem falando que sempre acreditou em mim, e “vou comprar a revista sempre para mostrar pra todo mundo e dizer “ta vendo essa jornalista gata? Eu conheço”, mas se a capa for do Justin Bieber eu dobro pra trás, não tem problema. To orgulhoso”. Eu como emotiva que sou, e adicionando o fato de estar na tpm, chorei como um bebê. Até a Cassy que já tinha totalmente me esquecido por causa do seu novo namoradinho me mandou uma mensagem. Minha irmã mandou um vídeo lá de Nova York desejando os mais sinceros parabéns. Faltava ele.

Mandei uma mensagem animada para Edward, e ele não respondeu na hora. Foi o fuso horário, com certeza – pensei comigo mesma. Ele estava em Londres, e já iam fazer dois anos desde que ele se foi. Dois longos anos, onde tinha época eu tinha total certeza de que aguentaria porque o amava muito, e em outros momentos achava que ia morrer de saudade ou de angustia. Certamente os dois piores anos da minha vida. Mas agora, aos poucos, eu estava aprendendo a superar.

Caminhei com Edward em todos seus primeiros passos. Eu estava lá quando ele dirigia com as mãos trêmulas pela primeira vez...
- Calma, Melina! - disse ele trocando a marcha do carro, enquanto eu resmungava que ele deveria ir mais rápido.
- Com essa velocidade é favorável andarmos a pé – rolei os olhos e acabei rindo do modo certinho de Edward dirigir.
- Melina, eu ainda to pegando o jeito da coisa. Me da uma chance – disse todo concentrado no que fazia.
- Eu não tirei carta nenhuma e já dirigi o carro do Jesse, e não andei nessa velocidade de tartaruga – me agoniava ver aquele carro quase parado. Edward considerava uma velocidade segura, mas eu não considerava aquilo velocidade.
- Você é louca. Não conta! Qualquer coisa que você falar que fez, pra me incentivar, só me fará fazer o contrário – disse parecendo um pouco irritado.
- Para esse carro! - pedi – Ou melhor, acosta esse carro, porque parado ele já esta.
Edward riu. Eu adorava quando ele ria das minhas implicâncias. Ele não ia parar, até que eu apertei a coxa dele e deslizei a mão por baixo de sua camisa. Encostamos o carro e fizemos amor no banco de trás. O sempre certinho Edward, não apresentou nenhuma objeção.

Eu estava lá quando ele passou na universidade em terceiro lugar, comemoramos juntos ficando acordados até o amanhecer. Eu estava lá quando ele arranjou seu primeiro estágio, ele ficava lindo de roupa social. Eu estava lá quando ele conseguiu essa maldita vaga nesse intercâmbio idiota, mesmo morrendo por dentro, eu o apoiei. Eu sempre estive lá para ele. E eu queria com todas as forças que ele estivesse ali por mim. Mas ele não estava. Nem ao menos para implicar comigo.

Eu sentia falta do Edward cada minuto. Não era uma coisa natural, era como se respirar tivesse começado a doer desde que ele se foi. Era como se só passasse quando eu estava chapada. Era como se passasse só quando eu enchia a minha mente de coisas aleatórias, tentando esquecer a droga da falta que ele me fazia. A gente tinha prometido que seria pra sempre, e agora eu adiciono mais uma coisa na lista de piores coisas de terminar um relacionamento: até mesmo as promessas de amor são quebradas. Eu ainda olhava pra trás e me pegava pensando, como foi que a gente não deu certo? Tinha tudo pra dar. Parecia tão certo.

- Você já percebeu que se tirar o L do seu nome e colocar um N fica Menina? - perguntou beijando meu rosto com carinho enquanto acariciava minha nuca enrolando meus cabelos em seu polegar.
- Que grande observação, você passou muito tempo pensando nisso, Edward? - perguntei debochando e olhando nos olhos dele. Eu amava aqueles olhos, eles sempre foram minha perdição. Tão doces e tão expressivos, os olhos de Edward eram capazes de me derreter por inteiro. Eu era completamente louca, obcecada e apaixonada por aqueles malditos olhos castanhos.
- É sério. Não ri – assim que me pede para não rir, ele acaba rindo – Sério… Agora me deixe falar…
- Hum? - perguntei segurando o riso.
- É isso que você é. Para os outros você tenta ser a senhorita nada-me-abala, mas aqui...– ele me puxa para ainda mais perto e diz baixinho sem deixar de me fitar – nos meus braços, você é a minha menina.
- Edw… - ele coloca o dedo em minha boca me pedindo para ficar quieta. Eu não entendi o motivo, mas meu coração tava disparado. Eu nunca me acostumava com a presença do Edward. Nós já namorávamos há quatro anos. Desde os meus dezesseis anos o Edward nunca havia saído do meu lado. Eu vivia brigando com meus pais, ele sempre era minha fortaleza, minha proteção. O Edward sempre foi minha coisa boa dentro de uma total bagunça. E ele me fazia me sentir forte. Nós dois juntos éramos invencíveis.
- Você é a minha menina, mas eu quero tanto. Eu quero tanto, Melina, que você seja minha mulher – ele ajoelhou no chão e abriu uma caixinha – Melina Matarazzo, você aceita ser minha mulher? Eu sei que estragar seu nome só de M's, será uma dor profunda. Mas eu prometo estar do seu lado para te ajudar a superar isso – eu ri. Minhas mãos tremiam descontroladamente e eu já não tinha nenhum controle das lágrimas que escapavam dos meus olhos – Aliás, eu prometo estar ao seu lado para superar tudo. Pra sempre!
Ele disse aquilo me olhando daquele jeito, com aquela explosão de castanho e eu não tive como recusar. Eu não queria recusar. É claro que eu disse sim. E acreditei em cada palavra. Foda-se se nós tínhamos só vinte anos. Nós tínhamos algo que muita gente procura a vida toda e não encontra. Nós éramos tudo um pro outro. E no ápice da nossa juventude e da nossa paixão, nós achávamos que seriamos eternos. Naquele momento o para sempre ainda parecia pouco para nós.

E agora, eu só queria estar ao lado dele. Queria comemorar minha promoção ao lado dele. Ele deveria estar ali pra me abraçar e dizer que sempre acreditou em mim. Queria que ele me abraçasse na cama e comesse morangos comigo - que era a nossa tradição toda vez que alguma coisa boa acontecia. Queria que ele me repreendesse por pular na cama, mas depois acabasse pulando comigo. Eu queria o meu companheiro, aquele que prometeu estar comigo pra sempre. Mas ele estava a milhas e milhas de distancia, provavelmente em algum barzinho no happy hour. Ele era feliz sem mim? Parecia ser. Então porque diabos eu me sentia tão incompleta? Grande injustiça. Mais uma coisa pra lista de piores coisas de fim de relacionamento: sempre um parece melhor que o outro, e isso dói, especialmente quando esse outro é você.

E depois de ter dado risada o dia todo e comemorado merecidamente a minha promoção. Eu estava ali em minha casa, com uma camisa velha e uma pantufa. A felicidade da promoção parecia insignificante sem ele ali pra comemorar comigo. Esperei a mensagem dele como quem espera um bote salva vidas. Até que bateram na porta. Corri para abrir.

- Parabéns, garota! – ele com aquele sorriso que era capaz de iluminar a mais escuras das cavernas. Ele o carinha que surgiu do nada e no fim do dia era tudo que eu tinha. Não era o Edward. Aidan. Ocupando toda a minha porta com aquelas costas largas. Eu tento não olhar muito, e tento não sorrir muito, mas era dificil, Aidan era uma das poucas pessoas que me fazia rir muito nos ultimos tempos.
- Obrigada, gentil cavalheiro – ri e peguei o buquê admirada.
- Não sabia se te trazia flores, você não tem cara de que gosta de flores. Mas foda-se, flores são o padrão pra agradar. Então, faz o papel de mulherzinha e fique muito feliz com a minha gentileza – invadiu minha sala, colocou o buquê em cima do balcão, e me ergueu pela cintura, em seguida me dando um beijo demorado na bochecha.
- Então você quer me agradar? Sempre soube desde o principio que esse era seu objetivo – debochei e dei um tapa em seu ombro – Obrigada, de verdade. As flores são lindas, mas o gesto… O gesto é foda! Sei que você tem uma agenda lotada, reservar um espaço pra me dar parabéns é um gesto de pura bondade – rio e abro a geladeira para lhe oferecer uma cerveja – Quer? Comprei aquela que você gosta, aquela de playboyzinho!
- Opa, então tava me esperando? Isso significa que tenho passe livre aqui na sua casa? To gostando disso – ele riu e abriu a cerveja.
- Isso significa que você tá passando demais aqui… - brinquei rindo. Era estranho perceber a intimidade que Aidan tinha com a minha casa, em pouco tempo ele se jogava no meu sofá e tirava o sapato. Mas só quando eu parava pra pensar, pois para mim era tão natural.
- Que significa que você gosta da minha presença. E que eu gosto da sua – ele disse esticando os pés folgadamente no sofá.
- Que significa que eu sou casada – lembrei debochadamente enquanto sentava no sofá e deixava ele colocar os pés no meu colo.
- Nós trabalhamos juntos. E… Somos amigos – ele sorriu docemente – Não sou uma ameaça pro seu casamento. Aliás, seu marido como está?
- Está bem. Pelo menos eu acho que está. Já que ele decidiu brincar de vaca amarela comigo, e eu sempre falo primeiro.
- Que metáfora idiota – ele riu.
- É boa vai, coloca em um dos seus textos. As suas fãs vão pirar – Aidan trabalhava comigo na revista. Escrevia para o site e tinha um milhão de fãs adolescentes loucas pelo poeta das palavras de amor.
- Falar nisso, to com um texto aqui. Mas ainda estou meio inseguro com ele. Então, você sabe que eu considero pra caralho sua opinião. Vou ler um trecho pra você, ok?
- Ok. Manda!
- Bom, é só um trecho – ele limpou a garganta e começou a ler - Quando te conheci, eu esperava sinceramente que você fosse do tipo de garota que só por chegar, já coloca tudo no lugar. Do tipo que faz cafajeste virar santo apaixonado. Mas eu estava enganado. Nossa, eu estava terrivelmente enganado. Porque você veio pra bagunçar o que já era bagunçado. Você tira tudo do lugar e se der na telha, mete o pé e deixa do jeito que está. Mas sabe qual é? Você sempre precisa voltar também. Mesmo com essa marra toda e pose de quem nunca erra, você volta também. Afinal, se você me completa, como eu não iria te completar? - finalizou – É só o final, depois você vai ter que abrir o site pra ler completo – ele riu e me encarou.
- Eu acho que as garotas vão pirar. Todas gostam de fazer o papel da garota malvada.
- Hm. Então a garota é malvada? - perguntou.
- Pelo trecho, pareceu – um sorriso brotou no meu rosto – É pra alguém especial? Tá pegando alguma das cocotinhas da revista? - perguntei empolgada.
- Não. É falso. Só um texto mesmo – deu de ombros – Ganho dinheiro escrevendo sobre o que não existe! - ele terminou de tomar a cerveja – Mas não acho a garota tão má assim.

E eu terminei a noite me sentindo bem. Conversamos e rimos o tempo todo. Não vou ser hipócrita e dizer que não flertamos um pouco. Flertamos, mas um flerte inocente e bobo, quase imperceptível. Quando o Aidan estava comigo não pensava tanto no Edward ou na falta de mensagem dele. Apenas me sentia bem, e isso me assustava um pouco.
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