IV - Amigos são pra sempre
segunda-feira, 15 de junho de 2015
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Acho que a pior coisa de estar apaixonado ou quase apaixonado - não sei se isso é possível, é que as pessoas percebem que você está apaixonado. O amor não sabe ser discreto. Rouba seus pensamentos. E te da um tanto a mais de distração. Você também ganha um pouco a mais de suspiros e uma necessidade quase absurda de ver quem você ama. Ai as pessoas se acham no direito de achar que você está apaixonado. Que bobeira.
- Melina, você ta me ouvindo? - perguntou Rachel - minha melhor amiga e irmã do meu ex não-namorado.
- Obvio. Total razão - disse olhando pra ela e assentindo com a cabeça.
- Ah! Eu devo me matar? Tenho total razão, né? - debochou ela rolando os olhos.
- Você tava falando do Will, né? - eu tava ouvindo. Ela que é dramática. Ou pelo menos achava que estava.
- Eu tava falando do meu irmão. Melina ele sente sua falta. Olha eu sei que... - interrompi-a.
- Rachel, se o Jesse sente minha falta é só falar comigo - dou de ombros.
Ela me olhou por alguns segundos me examinando.
- Melina você ta a fim de outro? - perguntou sem rodeios.
- Não. Que idéia. - respondi com um tom ofendido na voz.
Mas então Edward passou no corredor. Meu Deus! Ele estava lindo. Com aqueles óculos que deixavam ele ainda mais lindo. O cabelo perfeitamente arrumado. E o sorriso de lado que ele deu para mim? De repente o mundo inteiro borrou ao meu redor e eu só via aquele sorriso.
Rachel olhou para ele e depois olhou para mim.
- Por que ele ta sorrindo pra você? - perguntou incrédula.
- Ah! O sorriso dele é lindo você não acha? - perguntei sorrindo quando ele se afastou.
- Na escala Rachel de gente esquisita Edward é o líder disparado. Então, não. Eu não acho o sorriso dele lindo - disse com desprezo como se fosse obvio.
Não era de se estranhar. Rachel gostava de tipos mais específicos. Teve a inteligência em se apaixonar pelo o cara mais canalha, que por acaso era meu amigo, mas isso não o deixava menos canalha, da região. Ele era do tipo que saia com três ao mesmo tempo e achava isso normal. Não vou mentir o sorriso dele era lindo. Aquelas costas também. Aquela cor do pecado. E, ok ele era legal. Totalmente normal a Rachel se apaixonar por ele. Mas... Eu? Eu nunca gostei de tipos específicos. Eu gostava do diferente. Gostava de caras com óculos grandes no rosto. Aqueles que ligavam o foda-se pra academia. Que tinham um sorriso bonito. Que desviavam o olhar se ficasse os encarando muito, pois eles são tímidos. Acho que eu não gostava de caras, e sim de um cara. Edward. Ele não foi aquele cara que se encaixou em tudo que eu considerava perfeito para alguém, ele simplesmente me fez criar novos conceitos do que é perfeito baseado nele. Era ele. E mesmo antes de tudo. Eu nunca tive dúvidas.
Os dias iam ficando mais longos. Uma das drogas da adolescência: estudar em sala separada da pessoa que você gosta. Você tem que ficar torcendo para o acaso. E as vezes ele não colabora. Ou colabora de forma errada. Olha acaso, não pedi pra ver o Edward grudado na melhor amiga dele não tá? Obrigada.
- Ela gosta dele - disse Cassy. Uma menina com um visual meio diferente. Pra não dizer emo gótico e todas essas coisas obscuras.
- Eu perguntei alguma coisa? - respondi grosseiramente. Eu não queria ser grosseira, mas algo naquela afirmação me incomodou.
- Úlala - debochou ela - Calma ai - disse rindo e saiu quando o sinal bateu e o portão abriu. Eu fiquei alguns minutos parada e depois fui atrás dela.
- Hey! Como você sabe? - perguntei discretamente a Cassy.
- É meio obvio, né? Acho que até uma mula olharia para Mary e veria que ela gosta de Edward.
Rolei os olhos.
- Eu não perguntei isso. Perguntei como você sabe que eu me interesso por essas coisas - dei de ombros tentando disfarçar. Ela acendeu um cigarro e me olhou.
- O Edward me contou do encontro de vocês! - ela disse calmamente. E eu esperei ela dar mais detalhes, mas fiquei decepcionada ao constatar que ela não ia falar mais nada.
- Hum... Ele contou o que? Não que eu esteja interessada - ri com desdém.
- Quem diria... Você ta na dele? - perguntou com um tom debochado.
- Eu não - retruquei ofendida.
- Ele tá na sua. Ele não me disse isso, mas não precisava. Ele ficou falando de você com aquele olhar brilhante que os homens fazem quando estão apaixonados - ela disse e tragou seu cigarro.
Eu conhecia Cassy só de vista. Mas depois daquela conversa viramos amigas. Mesmo sendo totalmente diferentes, nós conseguíamos ficar conversando por horas. E naquele momento ela parecia ser a unica a A me entender e B não me julgar. Rachel que já estava magoada comigo por causa do irmão. Como boa ciumenta se afastou.
Edward me fazia rir como ninguém. Conversávamos todos os dias no colégio e continuávamos trocando mensagens quando saímos de lá. Era uma sensação tão gostosa, era como se os dias tivessem ganhado chão de nuvens, me sentia andando nelas sempre. Estávamos numa luta idiota de dedos - que consiste em dar as mãos e um tentar segurar e imobilizar o dedão do outro. Eu lembro que eu ria enquanto ele exclamava alguns xingamentos para meu dedo "ah, seu dedão safado", e porque era bom poder ser boba com alguém e essa pessoa não te achar boba. Não faz sentido. Mas a maioria das coisas sobre paixão não fazem. Foi quando Rachel nos interrompeu e disse:
- Posso roubar ela um pouco? - pediu ainda um pouco indiferente a ele, levantando o nariz.
- Claro - disse Edward dando de ombros.
Nos afastamos de Edward e ela perguntou:
- Vocês estão namorando? - perguntou diretamente.
Suspirei e ela notou, pois me olhou ainda mais incisivamente.
- Não. Eu juro que nós não temos nada. Ainda - acrescentei.
- Bom... Eu não vim aqui defender meu irmão. Pois ele vai ficar ótimo sem você. Eu vim aqui dizer sinceramente que você está sendo ridícula em abandonar todos os que são seus amigos por causa de um cara que você acabou de conhecer.
- As coisas não são assim Rachel, eu tento falar com você, mas você se afasta - disse me defendendo e ofendida.
- Não você não tenta. Pra você eu virei só uma extensão do meu irmão que aparece aqui pra te lembrar que aquele carinha que sempre te adorou e você não teve nem a decencia de conversar dizer um adeus, existe. E eu não vou ficar implorando por sua amizade. Não, mas quando as coisas derem errado pra você. Não pense que a minha casa estará aberta.
- Rachel você está sendo tão injusta comigo. Eu nunca pensei assim de você. E eu e o Edward não temos nada - afirmei categoricamente - Sei que está mal pelo seu irmão... - ela me interrompeu.
- Eu não estou mal por ele - ela sorriu - Só cuidado. Você não pode passar como um caminhão por cima das pessoas só pensando em você - ela nem me deixou responder e deu as costas.
Eu não estava sendo melhor tipo de amiga e de pessoa. Eu admitia. Mas a única coisa que não foi verdade no que a Rachel disse era que a casa não estaria aberta se eu precisasse. Porque eu precisei e ela me acolheu de braços abertos. Grandes amizades são assim, resistem a qualquer coisa. E se eu tinha que ser grata por algo é por todas as pessoas que eu havia cativado. O amor chega a cegar quando ele chega. Mas nunca deixe que ele faça desaparecer os amigos. Pois por mais clichê que seja, amigos são pra sempre.
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