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VI - Pra esquecer que sinto sua falta

quinta-feira, 2 de julho de 2015 /



Há um tempo atrás, eu recebi uma promoção, meu Deus, eu tinha sonhado tanto com aquela coluna que era quase impossível acreditar que ela finalmente estava em minhas mãos. Eu era colunista de relacionamentos amorosos da revista Teen mais vendida no país. Sim, não era nenhuma Marie Claire, mas foi bem difícil chegar até ali.

As pessoas que mais se importam com você sempre vão estar ao seu lado quando você conseguir uma grande conquista. Assim que contei pra Rachel, ela me ligou, ela não gosta muito de ligações, mas me ligou e gritou comigo por quase uns cinco minutos. Eu estava eufórica e dizia coisas completamente sem sentido, e ela estava comigo lá sendo louca junto. Jesse teve a delicadeza de mandar uma mensagem falando que sempre acreditou em mim, e “vou comprar a revista sempre para mostrar pra todo mundo e dizer “ta vendo essa jornalista gata? Eu conheço”, mas se a capa for do Justin Bieber eu dobro pra trás, não tem problema. To orgulhoso”. Eu como emotiva que sou, e adicionando o fato de estar na tpm, chorei como um bebê. Até a Cassy que já tinha totalmente me esquecido por causa do seu novo namoradinho me mandou uma mensagem. Minha irmã mandou um vídeo lá de Nova York desejando os mais sinceros parabéns. Faltava ele.

Mandei uma mensagem animada para Edward, e ele não respondeu na hora. Foi o fuso horário, com certeza – pensei comigo mesma. Ele estava em Londres, e já iam fazer dois anos desde que ele se foi. Dois longos anos, onde tinha época eu tinha total certeza de que aguentaria porque o amava muito, e em outros momentos achava que ia morrer de saudade ou de angustia. Certamente os dois piores anos da minha vida. Mas agora, aos poucos, eu estava aprendendo a superar.

Caminhei com Edward em todos seus primeiros passos. Eu estava lá quando ele dirigia com as mãos trêmulas pela primeira vez...
- Calma, Melina! - disse ele trocando a marcha do carro, enquanto eu resmungava que ele deveria ir mais rápido.
- Com essa velocidade é favorável andarmos a pé – rolei os olhos e acabei rindo do modo certinho de Edward dirigir.
- Melina, eu ainda to pegando o jeito da coisa. Me da uma chance – disse todo concentrado no que fazia.
- Eu não tirei carta nenhuma e já dirigi o carro do Jesse, e não andei nessa velocidade de tartaruga – me agoniava ver aquele carro quase parado. Edward considerava uma velocidade segura, mas eu não considerava aquilo velocidade.
- Você é louca. Não conta! Qualquer coisa que você falar que fez, pra me incentivar, só me fará fazer o contrário – disse parecendo um pouco irritado.
- Para esse carro! - pedi – Ou melhor, acosta esse carro, porque parado ele já esta.
Edward riu. Eu adorava quando ele ria das minhas implicâncias. Ele não ia parar, até que eu apertei a coxa dele e deslizei a mão por baixo de sua camisa. Encostamos o carro e fizemos amor no banco de trás. O sempre certinho Edward, não apresentou nenhuma objeção.

Eu estava lá quando ele passou na universidade em terceiro lugar, comemoramos juntos ficando acordados até o amanhecer. Eu estava lá quando ele arranjou seu primeiro estágio, ele ficava lindo de roupa social. Eu estava lá quando ele conseguiu essa maldita vaga nesse intercâmbio idiota, mesmo morrendo por dentro, eu o apoiei. Eu sempre estive lá para ele. E eu queria com todas as forças que ele estivesse ali por mim. Mas ele não estava. Nem ao menos para implicar comigo.

Eu sentia falta do Edward cada minuto. Não era uma coisa natural, era como se respirar tivesse começado a doer desde que ele se foi. Era como se só passasse quando eu estava chapada. Era como se passasse só quando eu enchia a minha mente de coisas aleatórias, tentando esquecer a droga da falta que ele me fazia. A gente tinha prometido que seria pra sempre, e agora eu adiciono mais uma coisa na lista de piores coisas de terminar um relacionamento: até mesmo as promessas de amor são quebradas. Eu ainda olhava pra trás e me pegava pensando, como foi que a gente não deu certo? Tinha tudo pra dar. Parecia tão certo.

- Você já percebeu que se tirar o L do seu nome e colocar um N fica Menina? - perguntou beijando meu rosto com carinho enquanto acariciava minha nuca enrolando meus cabelos em seu polegar.
- Que grande observação, você passou muito tempo pensando nisso, Edward? - perguntei debochando e olhando nos olhos dele. Eu amava aqueles olhos, eles sempre foram minha perdição. Tão doces e tão expressivos, os olhos de Edward eram capazes de me derreter por inteiro. Eu era completamente louca, obcecada e apaixonada por aqueles malditos olhos castanhos.
- É sério. Não ri – assim que me pede para não rir, ele acaba rindo – Sério… Agora me deixe falar…
- Hum? - perguntei segurando o riso.
- É isso que você é. Para os outros você tenta ser a senhorita nada-me-abala, mas aqui...– ele me puxa para ainda mais perto e diz baixinho sem deixar de me fitar – nos meus braços, você é a minha menina.
- Edw… - ele coloca o dedo em minha boca me pedindo para ficar quieta. Eu não entendi o motivo, mas meu coração tava disparado. Eu nunca me acostumava com a presença do Edward. Nós já namorávamos há quatro anos. Desde os meus dezesseis anos o Edward nunca havia saído do meu lado. Eu vivia brigando com meus pais, ele sempre era minha fortaleza, minha proteção. O Edward sempre foi minha coisa boa dentro de uma total bagunça. E ele me fazia me sentir forte. Nós dois juntos éramos invencíveis.
- Você é a minha menina, mas eu quero tanto. Eu quero tanto, Melina, que você seja minha mulher – ele ajoelhou no chão e abriu uma caixinha – Melina Matarazzo, você aceita ser minha mulher? Eu sei que estragar seu nome só de M's, será uma dor profunda. Mas eu prometo estar do seu lado para te ajudar a superar isso – eu ri. Minhas mãos tremiam descontroladamente e eu já não tinha nenhum controle das lágrimas que escapavam dos meus olhos – Aliás, eu prometo estar ao seu lado para superar tudo. Pra sempre!
Ele disse aquilo me olhando daquele jeito, com aquela explosão de castanho e eu não tive como recusar. Eu não queria recusar. É claro que eu disse sim. E acreditei em cada palavra. Foda-se se nós tínhamos só vinte anos. Nós tínhamos algo que muita gente procura a vida toda e não encontra. Nós éramos tudo um pro outro. E no ápice da nossa juventude e da nossa paixão, nós achávamos que seriamos eternos. Naquele momento o para sempre ainda parecia pouco para nós.

E agora, eu só queria estar ao lado dele. Queria comemorar minha promoção ao lado dele. Ele deveria estar ali pra me abraçar e dizer que sempre acreditou em mim. Queria que ele me abraçasse na cama e comesse morangos comigo - que era a nossa tradição toda vez que alguma coisa boa acontecia. Queria que ele me repreendesse por pular na cama, mas depois acabasse pulando comigo. Eu queria o meu companheiro, aquele que prometeu estar comigo pra sempre. Mas ele estava a milhas e milhas de distancia, provavelmente em algum barzinho no happy hour. Ele era feliz sem mim? Parecia ser. Então porque diabos eu me sentia tão incompleta? Grande injustiça. Mais uma coisa pra lista de piores coisas de fim de relacionamento: sempre um parece melhor que o outro, e isso dói, especialmente quando esse outro é você.

E depois de ter dado risada o dia todo e comemorado merecidamente a minha promoção. Eu estava ali em minha casa, com uma camisa velha e uma pantufa. A felicidade da promoção parecia insignificante sem ele ali pra comemorar comigo. Esperei a mensagem dele como quem espera um bote salva vidas. Até que bateram na porta. Corri para abrir.

- Parabéns, garota! – ele com aquele sorriso que era capaz de iluminar a mais escuras das cavernas. Ele o carinha que surgiu do nada e no fim do dia era tudo que eu tinha. Não era o Edward. Aidan. Ocupando toda a minha porta com aquelas costas largas. Eu tento não olhar muito, e tento não sorrir muito, mas era dificil, Aidan era uma das poucas pessoas que me fazia rir muito nos ultimos tempos.
- Obrigada, gentil cavalheiro – ri e peguei o buquê admirada.
- Não sabia se te trazia flores, você não tem cara de que gosta de flores. Mas foda-se, flores são o padrão pra agradar. Então, faz o papel de mulherzinha e fique muito feliz com a minha gentileza – invadiu minha sala, colocou o buquê em cima do balcão, e me ergueu pela cintura, em seguida me dando um beijo demorado na bochecha.
- Então você quer me agradar? Sempre soube desde o principio que esse era seu objetivo – debochei e dei um tapa em seu ombro – Obrigada, de verdade. As flores são lindas, mas o gesto… O gesto é foda! Sei que você tem uma agenda lotada, reservar um espaço pra me dar parabéns é um gesto de pura bondade – rio e abro a geladeira para lhe oferecer uma cerveja – Quer? Comprei aquela que você gosta, aquela de playboyzinho!
- Opa, então tava me esperando? Isso significa que tenho passe livre aqui na sua casa? To gostando disso – ele riu e abriu a cerveja.
- Isso significa que você tá passando demais aqui… - brinquei rindo. Era estranho perceber a intimidade que Aidan tinha com a minha casa, em pouco tempo ele se jogava no meu sofá e tirava o sapato. Mas só quando eu parava pra pensar, pois para mim era tão natural.
- Que significa que você gosta da minha presença. E que eu gosto da sua – ele disse esticando os pés folgadamente no sofá.
- Que significa que eu sou casada – lembrei debochadamente enquanto sentava no sofá e deixava ele colocar os pés no meu colo.
- Nós trabalhamos juntos. E… Somos amigos – ele sorriu docemente – Não sou uma ameaça pro seu casamento. Aliás, seu marido como está?
- Está bem. Pelo menos eu acho que está. Já que ele decidiu brincar de vaca amarela comigo, e eu sempre falo primeiro.
- Que metáfora idiota – ele riu.
- É boa vai, coloca em um dos seus textos. As suas fãs vão pirar – Aidan trabalhava comigo na revista. Escrevia para o site e tinha um milhão de fãs adolescentes loucas pelo poeta das palavras de amor.
- Falar nisso, to com um texto aqui. Mas ainda estou meio inseguro com ele. Então, você sabe que eu considero pra caralho sua opinião. Vou ler um trecho pra você, ok?
- Ok. Manda!
- Bom, é só um trecho – ele limpou a garganta e começou a ler - Quando te conheci, eu esperava sinceramente que você fosse do tipo de garota que só por chegar, já coloca tudo no lugar. Do tipo que faz cafajeste virar santo apaixonado. Mas eu estava enganado. Nossa, eu estava terrivelmente enganado. Porque você veio pra bagunçar o que já era bagunçado. Você tira tudo do lugar e se der na telha, mete o pé e deixa do jeito que está. Mas sabe qual é? Você sempre precisa voltar também. Mesmo com essa marra toda e pose de quem nunca erra, você volta também. Afinal, se você me completa, como eu não iria te completar? - finalizou – É só o final, depois você vai ter que abrir o site pra ler completo – ele riu e me encarou.
- Eu acho que as garotas vão pirar. Todas gostam de fazer o papel da garota malvada.
- Hm. Então a garota é malvada? - perguntou.
- Pelo trecho, pareceu – um sorriso brotou no meu rosto – É pra alguém especial? Tá pegando alguma das cocotinhas da revista? - perguntei empolgada.
- Não. É falso. Só um texto mesmo – deu de ombros – Ganho dinheiro escrevendo sobre o que não existe! - ele terminou de tomar a cerveja – Mas não acho a garota tão má assim.

E eu terminei a noite me sentindo bem. Conversamos e rimos o tempo todo. Não vou ser hipócrita e dizer que não flertamos um pouco. Flertamos, mas um flerte inocente e bobo, quase imperceptível. Quando o Aidan estava comigo não pensava tanto no Edward ou na falta de mensagem dele. Apenas me sentia bem, e isso me assustava um pouco.

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