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VII - O casamento

sábado, 4 de julho de 2015 /



Acho que uma das piores coisas de terminar um relacionamento definitivamente é quando tem divórcio. Todos os sonhos que você carregou no peito por tanto tempo com aquela pessoa de repente são perdidos no tempo. E você quer voltar no tempo e voltar para quando o abraço dela te fazia sentir seguro. Você quer voltar para o primeiro beijo. Você quer reviver tudo de novo e quem sabe dar um jeito de arrumar tudo. Mas sabe que por um motivo não está tudo bem. Foi o pior momento da minha vida. E ainda foi um divórcio a distância, daqueles que o advogado resolve tudo e você não precisa nem comparecer ao ato da assinatura do divórcio. Não pude nem olhar nos olhos dele, pra ele tentar me convencer de que eu estava errada. De que nós éramos sim, perfeitos um para o outro.

Quando Edward conseguiu o estágio e em seguida o trabalho em Londres, eu nunca pensei que o tempo fosse passar tão devagar. Nós nos víamos sempre em datas especias, como natal, o aniversário dele, se desse o meu, mas era tão pouco. Eu sempre chorava horrores quando ele ia embora, nunca na frente dele. Mas quando saia do aeroporto e entrava em meu carro, passava uns cinco minutos chorando copiosamente, e nunca aliviava.

Eu estava esperando o Edward há três horas, o voo havia atrasado. Já faziam três anos que ele estava fora. Mas eu sentia como se fosse trinta anos. Eu estava agoniada, não tinha mais unhas para contar histórias. Mas quando ele surgiu. Eu podia jurar que não estava vendo mais nada, eu só via aquele sorriso. Meu coração imediatamente respondeu, querendo saltar pela boca. Levantei do banquinho e tentei não correr em direção a ele, foi difícil, mas quase consegui. Quase, pois andei tão rápido que quase tropecei em minhas próprias pernas. Quando, finalmente, cheguei perto dele. Nos abraçamos tão forte que por um segundo achei que ia perder a respiração.

- Como você está linda – ele sussurrou segurando meu rosto, esfregando o nariz lentamente nele. Como se ele quisesse decorar novamente os traços do meu rosto. Sorri. Ele cobriu meu sorriso com seus lábios quentes, famintos e que pareciam estar morrendo de saudades dos meus. Só existia nós dois naquele aeroporto. E eu, por um momento, esquecia completamente o quão difícil era ficar sem ele. O quanto a distancia estava matando a gente. Eu esquecia tudo, pois era só olhar pra ele que nada parecia errado com a gente.
- Você demorou – murmurei segurando o choro – achei que eu fosse morrer de saudades.
Ele colocou uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha e beijou minha bochecha com carinho.
- Quando foi que você ficou tão dengosa, linda? - perguntou com um sorrisinho – lindo – no rosto. Mas eu via que ele estava emocionado também.
- Desde que você foi pra longe de mim – deitei no peito dele e meu peito parecia ter algum conforto quando senti o perfume dele. O mesmo de sempre. Edward era tão metódico. Era mesmo ele, o meu amor.
Ele pegou em minha mão e caminhamos juntos em direção ao carro.
- Melina eu já te disse, meu maior sonho é levar você comigo. Nós podemos ter uma vida lá, eu sei que você tem seu trabalho, mas a gente poderia dar um jeito de você escrever lá – tentou me convencer assim que entramos no carro.
- Edward, você não sabe quantas vezes eu cogitei essa hipótese. Mais de um milhão, tenha certeza. Só que não é fácil, eu tenho uma vida aqui. Eu preciso de pessoas, eu preciso dos meus amigos, eu necessito do meu trabalho. Você mal tem tempo pra falar comigo de lá, eu ia me sentir um nada se não tivesse o que fazer.
- Melina, mas a gente ia estar junto. Lembra? Nós juntos somos invencíveis – disse olhando em meus olhos e segurando em minha coxa. Quando ele falava assim, eu quase desistia de tudo e ia com ele para onde ele quisesse. Mas eu também tinha minha vida, e Edward tinha que entender isso.
- Edward… - o repreendi – Você sabe o quão difícil é pra mim, você sabe, ficar longe de você é uma droga. Mas a gente já falou sobre isso… - minha voz saiu falhada, e eu tinha certeza que havia acabado de falhar no meu plano de não chorar na frente dele.
- Hey! - ele chamou minha atenção – Tudo bem, vai ficar tudo bem – suspirou. E eu senti que ele queria mesmo acreditar no que estava dizendo – Vamos aproveitar essa semana, como nós fazíamos antes. Vamos ver seus filmes chatos. E eu, finalmente, vou te ensinar a jogar xadrez e dessa vez não vou permitir que você não aprenda. Vamos ir naqueles lugares bonitos que nós sempre quisemos ir. E ai quando eu for embora de novo, nós vamos ter muitas lembranças para ficar forte até a próxima vez – ele deixou uma lágrima escapar, mas logo a secou. Edward odiava demonstrar sentimentos na frente dos outros. Uma das poucas vezes que o vi chorar, foi quando uma prima dele falecera. E foi horrível vê-lo chorar, e se abraçar a mim como se eu a qualquer momento fosse sumir.
- Só isso? - perguntei com um sorriso malicioso no rosto para descontrair o clima.
- Hm – ele sorriu também – você tem alguma sugestão Melina Maravilhosa?
- Só uma. Fazer amor todos os dias – mordi o lábio.
- Só isso? - ele imitou minha voz com um sorriso safado no rosto – Todos os dias ainda é pouco pra saudade que eu estou de você – nem preciso dizer que ele me arrepiou até a alma. Ele me enlouquecia como ninguém. E eu morria de saudades dele. E posso dizer que cumprimos todo o combinado. Cada detalhe.

Quando Jesse chegou devastado em minha casa senti meu coração apertar, eu o conhecia tão bem, que eu sabia que era algo grave.
- Melina, eu vou me separar – disse com lágrimas nos olhos.
- Como assim? - perguntei assustada. Jesse era casado, e parecia muito bem casado com a Aurora, eu achava que eles eram feitos um pro outro. Eles tinham uma família linda. E vê-lo ali devastado me doía a alma.
- Ela está tendo um caso com outro – soltou de uma vez. Até se afundar no meu sofá.
- Jesse… Não é mais um de seus surtos? - perguntei – Você sabe… Você imagina coisas as vezes, você é muito ciumento.
- Melina, eu tenho certeza. Eu já sai de casa… Me ajuda! A Madison me ofereceu a casa dela, mas sei lá, não quero dar problema com aquele otário do namorado dela. Também não quero ir para casa da minha mãe, ela vai ficar me enchendo o saco.
- Claro, você pode ficar aqui – sentei no sofá com ele e o abracei. Ele deitou no meu colo e desabafou. Ficamos conversando a madrugada toda.

E aquele dia além de ficar triste pelo meu melhor amigo. Eu fiquei triste por todas as histórias de amor que não resistem o tempo. Aquele dia foi o que eu tive mais medo de perder o Edward. Eu achava que não aguentaria, mesmo longe, eu sabia que o tinha. Eu só tinha medo do nosso amor não ser suficiente. O amor é o mais forte de todos os sentimentos, mas as vezes ele não consegue ser suficiente. Um tempo depois ajudei Jesse a escolher uma aliança de noivado, o amor as vezes é esquisito. E a vida sempre dá um jeito de nos surpreender.

Quando penso em finais, sempre volto pro começo. O dia do meu casamento. O dia mais importante da minha vida. Eu estava rodeada das pessoas que eu amava, da minha família, de amigos do Edward e seus familiares. Eu não sabia o porquê, mas a família de Edward me detestava. Exceto pela a irmã dele, Cecelia, já que Stella e Melanie – suas outras duas irmãs – pareciam ser totalmente contrária a ideia do irmãozinho querido delas casar comigo. Mas no dia do nosso casamento, tudo parecia diferente. Elas pareciam estar felizes pela gente. E é por isso que desde o meu casamento eu amo celebrações desse tipo, porque sempre o amor vence qualquer sentimento.
- Você está linda – disse Cecelia – Meu irmão vai pirar.
- Obrigada – sorri – Eu to um pouco, um pouquinho, quase nada, nervosa.
Ela veio por trás de mim e ajeitou meu cabelo.
- Vocês dois foram feitos um para o outro. Todo mundo percebe, Melina. Até mamãe já aceitou. Quando vocês estão juntos vocês são o melhor um para o outro. E eu nunca vi o chato do Edward dar um sorriso tão bonito como ele dá quando tá com você – ela sorriu e apertou meus ombros iniciando uma massagem – Não tem motivos para estar nervosa. Vai ser o dia mais lindo da sua vida – eu adorava Cecelia, ela transmitia uma calma e sempre tinha palavras bonitas para dizer. Eu amava minha cunhada, e ela sempre me apoiava como uma irmã. Naquele momento eu não poderia ter ouvido palavras melhores. E ela tinha total razão, foi com certeza um dos melhores dias da minha vida.
- Melina Matarazzo – Edward pegou em minhas mãos trêmulas e olhou em meus olhos – Aquele trato idiota foi a melhor coisa que me aconteceu. Porque me trouxe até você. E fico grato por isso Melina, fico grato. Você precisa me dar esta honra, precisa me prometer que vai ser minha mulher para sempre, e que não vamos desistir não importa o que aconteça, por mais desesperador que o caminho possa parecer. Prometa isso agora, Melina. Porque eu prometo – ele disse cada palavra perfeitamente antes dos olhos dele encherem de água - e essa foi a outra vez que vi Edward chorar. Eu quase morri de emoção, ele estava fazendo uma citação do meu filme favorito nos meus votos. Foi tão lindo, tão nosso, tão perfeito. E eu sabia que era exatamente isso que eu queria para mim, passar a vida toda ao lado do Edward. Cumprir cada detalhe do combinado. Mas a vida adora mesmo as reviravoltas.

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