Enquanto bebo a minha cerveja gelada tentando relaxar. Não me sinto surpreso quando não consigo relaxar nem por um instante. Tem sido assim desde que eu te conheci. Eu nunca quis apresentar nenhuma outra garota para minha família, mas tinha mensagem da minha mãe no celular perguntando de você. Justo você, a garota que não queria nada sério. Aquela que me fez aceitar ter um quase-relacionamento – você pode chamar de nada, se quiser – quando eu queria… Deus, eu queria até me casar com você. É como um vício, você me da pouco e eu sempre fico querendo mais. Me sinto um maldito viciado em você. Mesmo quando te ignoro por dias, mas dentro de mim não dá pra ignorar a sua constante presença. Mesmo quando flerto com outras garotas, nenhuma delas parece com você. Posso tentar me convencer de que é essa a ideia, mas no fundo sempre procuro por você, procuro por você em qualquer outro olhar.
Te confesso mais uma vez o quanto você mexe comigo. Você responde dizendo que gosta muito de mim. E, então, te olho brincando com seu cachorro, cheia de amor, beijos e carinhos e penso comigo que você gosta muito dele também. O problema é que eu já passei dessa fase de gostar muito. Eu te amo, caralho. E eu sei que não te digo isso também. Mas você sente, não é possível. Você me conhece, sabe que eu não costumava ir tão fácil assim atrás de alguém. Você me conhece, sabe que eu sou paradão na sua. Mas você prefere construir um bloqueio entre a gente e enquanto eu te vejo lá toda empenhada em erguer os tijolos me dou ao luxo de perguntar “Porque você está fazendo isso?” e você me vira com aquele seu sorriso lindo e diz: “Ah, é só por precaução. Vai ficar tudo bem”. Eu acredito, mesmo estando do outro lado eu acredito. Eu só demorei para perceber que todo o esforço era para me afastar.
Nós somos a melhor coisa que eu já fiz. Mas eu realmente fiquei trancado aqui do outro lado do bloqueio. Parece que você sempre espera que eu faça alguma coisa horrível que justifique essa vontade de ficar longe de mim. E a única coisa horrível que eu faço sempre que a gente se afasta. É isso, ficar longe de você. É acordar com o outro lado da cama vazio. É não ter a minha parceira. É não ter ninguém para jogar Call of Duty comigo – só você faz isso, eu já aceitei que nisso você é única. É não ter ninguém para virar aquela dose e me dizer que eu sou fraco por você conseguir terminar primeiro. Mas eu vou ter que te confessar que eu sempre te deixo ganhar, só porque eu gosto da expressão que seu rosto faz, quando abre os olhos depois da careta que o gosto forte da bebida estampa em sua face. Você abre os olhos, eles se iluminam e até sorriem quando percebe que ganhou. E isso automaticamente arranca um sorriso do meu rosto, que eu logo disfarço para você não perceber que eu te deixei ganhar. Eu sempre vou te deixar ganhar. Você fica bem como vencedora e eu não sinto a perda quando é para você. Mas no caso da nossa aposta de quem se apaixona primeiro. Eu te digo aqui e agora, garota, você ganhou sem precisar de nenhuma ajuda minha. Mas eu ainda posso ser o primeiro a ir embora. Não me faça desistir de nós dois e decidir “ganhar” dessa vez. Porque eu tenho a impressão de que nós dois sairíamos perdendo.

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