Por um pequeno momento esquecemos que nós somos o que somos agora. Eu virei para você e nós achamos graça da mesma coisa, como sempre costumávamos achar, e rimos até doer a barriga. Enquanto a nossa risada se misturava parecia que estávamos curados do que tínhamos nos tornado. O problema é que é nos olhos que a verdade se esconde. Bastou encarar seu olhar por alguns segundos. E puft. Estalo. O que estávamos fazendo? E, então, ficamos tristes de novo. É que durou tão pouco.
Durou tão pouco a sensação de que não éramos o nada que nos tornamos. De repente aquela sala parecia nos sufocar. Eu tomei a iniciativa de sair primeiro. Você sorriu condescendente. E me doeu saber que provavelmente você suspirava de alivio porque eu estava dando as costas a você. Assim como eu estava aliviada por não ter que falar com você sobre qualquer assunto que nunca fez nosso tipo. "Nossa, ta frio, né?". Eu não queria conversar com você sobre o tempo, porque não faz sentido algum. Faz? Me diga se faz. A gente nunca falou sobre tempo. Você me aquecia com seu abraço. E eu preferia estar morta ao ter que te olhar ali de braços cruzados, frio como o Alasca "Eu vi no jornal que o tempo vai fechar no fim de semana". Faz algum sentido? Eu não conversaria sobre tempo nem no elevador, imagina com você. O que fechou foi o nosso tempo.
Costumávamos ser tudo um pro outro. E para onde vai o nosso tudo quando se torna nada? Simplesmente morre? Não sei. Mas se eu tivesse que apostar eu diria que o nosso tudo virou essa barreira que mora entre a gente agora. Onde costumava ser caminho livre agora é terra proibida. E não somos rebeldes a ponto de arriscar invadir ou pular o muro onde sabemos que a queda é feia. Ou melhor já foi. Caímos faz tempo e não foi de nenhum muro. Caímos fora da vida um do outro. Mas eu preciso dizer que senti falta de um adeus. Por tudo que fomos acho que não merecíamos essa coisa de covardes de ir sem olhar para trás. E você foi. E eu? Também.

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